segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Fevereiro 2005 XI

A minha sorte, no meio desta confusão toda, era os amigos que tinha, e ainda em Fevereiro fui passar um fim-de-semana em Vendas Novas, com pessoas extraordinárias, que conseguiram fazer com que o esquecesse por segundos apenas, mas nestes segundos eu conseguia encontrar-me outra vez, onde os meus sorrisos eram espontâneos, e a minha vontade de viver era outra. Mais do que nunca era dos meus amigos, e das pessoas que gostavam de mim que eu precisava, eram eles que me faziam sentir viva, alegre, espontânea como sempre fui.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Fevereiro 2005 X

E uma semana depois eu sentia uma raiva enorme dele, ele tinha desprezado o meu sentimento, tratado como a um lixo que se deita fora, e era a única coisa que pensava, eu estava tão magoada… doía-me até aos ossos a confusão de sentimentos que tinha. Havia momentos em que não tinha dúvidas de que gostava imenso dele, outros em que a raiva que sentia era tão forte, que só a ideia de o ver à minha frente era suficiente para me tornar na pessoa mais agressiva que o mundo já vira… havia um turbilhão de sentimentos que eu não conseguia mais perceber o que é que eu queria, e quando uma manhã acordo e olho para o telemóvel e tinha uma chamada não atendida do Rui, à 1h da manhã, a única coisa que eu pensava é que eu não ia retribuir, porque se ele quisesse mesmo falar comigo, tinha telefonado a horas decentes. Eu já achava tudo uma falta de respeito, ele achava que aquela hora eu estaria disponível para ele. Ele tinha feito a escolha dele… agora que me deixasse em paz, era a única coisa que eu queria. Eu tinha a minha vida, e a minha estabilidade emocional virada do avesso e só queria voltar a ser eu outra vez, aquela pessoa bem disposta, que está bem com a vida, com as pessoas, que faz rir tudo e todos… que todos acham que tem uma força interior descomunal, mas que no fundo é apenas uma criança grande que só quer um bocadinho de colo.
Eu achei que tudo isto era injusto para mim, eu durante toda a minha vida, tive o cuidado de respeitar os sentimentos dos outros, e só não o fazia quando não me respeitavam a mim… porque é que o meu sonho não se tornou realidade? Tinha sido tão bonito, sempre acreditei que se algum dia tivesse a oportunidade de estar com ele, que teria sido bonito e não foi… ele era a pessoa que queria para mim, consciente e inconscientemente, eu não o amei simplesmente, eu aprendi a ama-lo de uma forma tão doce, tão desprovida de qualquer interesse, que todas a vezes que penso no que se passou me dói o coração ter de admitir que o meu sonho, deixou de o ser, e transformou-se em absolutamente nada…

domingo, fevereiro 20, 2005

Fevereiro 2005 IX

(...)

sábado, fevereiro 19, 2005

Fevereiro 2005 VIII

(...)

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Fevereiro 2005 VII

Tive uma enorme vontade de falar com a minha mãe sobre ele, mas contive-me, se não tinha contado a parte bonita, se é que a houve, não ia contar a decepção e a injustiça da situação que tinha vivido. Ainda para mais porque a minha mãe sempre simpatizou com ele, com o Luís nem por isso, mas com ele simpatizava. Não lhe ia causar a ela decepção também.

Dito isto lembrei-me, ele tinha cartão verde na minha família, o meu irmão simpatiza com ele, a minha mãe simpatiza com ele, até a minha cunhada simpatizava com ele… e o meu pai por arrasto também acabaria por dar o aval. Tínhamos tudo para dar certo, se não fosse o preconceito dele.

Isto aconteceu na terça e só na quinta é que desabafei com a Marília, foi um lavar de lágrimas que não me lembro nunca me ter acontecido, sempre fui muito orgulhosa em chorar à frente dos outros, mas não conseguir conter… a própria Marília estava a sentir-se mal, porque não sabia o que havia de fazer, nunca me tinha visto assim e há anos que me conhece… foi sem sombra de dúvidas a maior decepção sentimental que tive. Já algumas pessoas me decepcionaram, e o Rui não foi excepção, só que neste caso a decepção teve um carácter mais profundo, doloroso… nem sei como quantificar a decepção que tive, foi uma dor física, eu senti na pele a dor de o ver ir embora.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Fevereiro 2005 VI

Não sei porque é que ele me pediu para ficar, ainda assim eu fiquei, mas seja lá o que ele me tentou dizer, desta vez fui eu que não o compreendi, tentei mas não consegui.
Que nós éramos diferentes, isso eu já sabia toda a gente o é… mas ele deu muita importância a isso. Dei-lhe exemplos de pessoas que conseguiram ultrapassar essa diferença, a minha prima e o marido, ele também era de Vila de Rei, e ela também tinha curso superior e isso não os impediu de ficarem juntos, o mesmo aconteceu com o Jorge e a Telma, certamente tiveram de ultrapassar as dificuldades de terem vivido experiências diferentes, tiveram que ultrapassar a distância que os separava, mas conseguiram, nós não éramos menos que eles, e se tivesse havido boa vontade, nós também teríamos ultrapassado todas estas dificuldades, dificuldades que só existiam na cabeça dele. Mas não teve que ser.

Mais tarde, quando o silêncio já tomava conta da situação, voltei a pôr a mão às chaves do carro, e ele voltou-me a pedir para ficar, porquê? Que mais tinha ele para me dizer, que não dizia… que mais criticas ele tinha para me fazer, não sei… apenas lhe respondi: “Nos outros dias eu tinha motivo para chegar tarde a casa, hoje não tenho… e não me apetece discutir com os meus pais.” Arranquei com o carro, e ele disse que o podia deixar ali, apenas respondi que não, levei-o até à estação dos autocarros no Oriente e quando parei o carro, depois de uma viagem em silêncio quase mortal, perguntou-me: “Discutistes com os teus pais?”, olhei chocada para ele e apenas disse: “Que te parece, eu vivo na mesma casa que eles, e é natural que eles não gostem que eu chegue tarde.” Eu sou de Lisboa, mas tenho família, foi o que me apeteceu dizer, mas naquele momento eu só me queria ir embora dali, quando lhe respondi aquilo vi uma coisa que nunca pensei ver, os olhos do Rui estavam brilhantes, disso eu tenho a certeza, ele tinha as lágrimas nos olhos, disse-me para falarmos noutra altura, perante esta proposta sorri e disse quem sabe, mas para mim era uma forma de despachar como outra qualquer, saiu do carro e antes de fechar a porta apenas me disse: “Desculpa!” palavra que ecoa até hoje nos meus ouvidos. Disse-a tão baixinho… até para a dizer sentiu vergonha.

Ele atravessou a estrada, olhei para ele uma última vez, na esperança que fosse mentira, e sem saber como arranquei com o carro, segui viagem até casa lavada em lágrimas, não sei como fiz o caminho, tenho a sensação que não via nada à minha frente... contive as lágrimas e cheguei a casa como se nada fosse, mas sem coração que esse partiu-se e com a viagem foi ficando para trás.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Fevereiro 2005 V

Ele disse três coisas que até hoje não me saem da cabeça:

Primeiro, com que palavras exactamente já não me recordo, sei que se tratava do que ele tanto faz em Vila de Rei. E o que ele disse, é que não me contava tudo, que andava a fazer não sei o quê em Vila de Rei, e pelos vistos não me queria contar (era um direito dele, desde que não fosse outra mulher, por mim tudo bem), nem nunca lhe tinha perguntado o que ele andava a fazer por lá, não percebo este comentário, mas o pior foi quando ele acrescentou: “nem ao meu irmão eu digo tudo…”, e isto sim não me sai da cabeça, eu acho que percebi o que ele quis dizer, o irmão dele não soube que nós estivemos juntos. E a pergunta que se coloca é: Porquê?! O Luís tem uma namorada, com quem tem um relacionamento, segundo consta já faz alguns anos… não percebo porque é que ele não lhe falou sobre isso. Eu não falar sobre o Luís é uma coisa, por tudo aquilo que já disse anteriormente, mas o Rui não falar com o Luís sobre uma relação comigo é só a confirmação do que disse anteriormente. E acho que até hoje uma relação minha com o Rui ia ser mal vista pelo Luís. Porquê? Ele não refez a vida dele… tenho receio que o Rui tenha abdicado desta relação por causa do irmão, eu fiz isso na altura certa, agora não faz sentido. Mas isto são só suposições pode não ser a verdade.
Tenho que admitir que estas citações são colocadas fora do contexto originar, às quais eu acrescento a minha revolta sobre toda esta situação, que me revira o estômago.
Segundo, ele faz referência a Lisboa e às pessoas de Lisboa (consequentemente eu) que são mal-educadas e que são más pessoas, e que Lisboa é horrível, por causa do trânsito e outras coisas neste sentido. Eu fiquei horrorizada, puro preconceito. Respondi-lhe que em Vila de Rei também à droga, álcool, e miúdas grávidas com 13 anos… e outras coisas assim, mas é em menor numero porque também são menos pessoas, e que em Lisboa não podemos cumprimentar as pessoas na rua porque somos considerados doidos, porque não conhecemos toda as pessoas que andam na rua, não há comparação possível entre a cidade de Lisboa e a Vila onde todos se conhecem, em que todos andaram na mesma escola. A escola onde eu andei no secundário e posteriormente o Instituto Superior que frequentei tinham tantas ou mais pessoas que o Concelho de Vila de Rei… era loucura o que eu estava a ouvir. Porque é que ele se meteu comigo se sempre soube que eu era de Lisboa. Eu não escondi. Isto sim revoltou-me fui alvo de um preconceito retrógrado de um miúdo (não tem outro nome) que não consegue alargar horizontes. Acho que nunca fui preconceituosa em relação a nada, nem à cor da pele, nem ao estatuto social, à religião, às habilitações literárias, a nada, eu sempre respeitei as pessoas por aquilo que elas são, ou que me dão a conhecer, o seu carácter, a sua personalidade, a sua dignidade, o amor pela vida… isto é o que faz para mim uma pessoa, não a sorte que elas tiveram na vida, as escolhas que fizeram… se eu fosse preconceituosa eu nunca teria gostado do Rui. E como eu gostava do jeito simples dele, daquela atitude séria quase inabalável, o amor que ele tinha à sua terra era bonito, nunca o critiquei. Foi revoltante ter passado por isto.

Por último, e para rematar as situações que daquela conversa mais me marcaram, ditas por ele, neste caso nem foi bem dito, fui eu que me apercebi que ele tinha dificuldades em perceber algumas coisas que eu dizia, e o sentido em que as dizia… acho que mais uma vez o preconceito falou mais alto, e desta vez em relação às minhas habilitações, não que ele tivesse admitido isso, mas percebi isso tarde de mais, o que para mim era claro como água, apercebi-me muito tarde que para ele não era. Nunca pensei que o meu português fosse complicado, muito pelo contrário sempre fiz por falar o mais simples possível, com ele e com qualquer outra pessoa, o falar bonito tem alturas certas, uma entrevista de trabalho, um contacto em que queremos ser bem visto, agora uma conversa com um amigo, um namorado, é para ser bonita, apreciada, divertida… não para estar a competir gramática e vocabulário. Posto isto acho que não mereceria passar pelo que passei. É possível que tudo tenha terminado por causa de um preconceito, mas foi definitivamente uma escolha dele.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Fevereiro 2005 IV

Os dias de folga dele passaram ele regressou a Lisboa no dia 14 de Fevereiro e tínhamos encontro marcado para o dia 15, como no dia anterior tinha sido o dia dos namorados, apesar do clima negativo eu fui comprar um presente para ele que estava disposta a dar independentemente do rumo desta conversa, era um livro, mas não um livro qualquer: “Diário da Nossa Paixão”, da autoria de Nicholas Sparks, a história que tínhamos visto no cinema. Dia 15 chegou, com a promessa que íamos conversar, ao contrário dos outros dias, nem como amigos nos cumprimentámos, ele entrou no meu carro e seguimos até um lugar mais recatado. Não estava preparada, embora esperasse, para o que ia viver, nem para o pouco que ia ouvir. Assim que parei o carro ele disse, as piores palavras que ouvi na vida, a pior forma de as dizer, e tal com as ouvi, transmito: “Não tenho tempo, se calhar é melhor parar por aqui.” até hoje não percebo, tempo, era tudo uma questão de tempo. Eu nunca lhe pedi tempo, e foi isso que lhe disse, eu sabia que ele não tinha tempo, eu pedi carinho, atenção, respeito, mas nunca tempo. Eu percebia a vida que ele tinha escolhido, mas ele não percebeu que eu o tinha escolhido a ele, e ele atirou tudo fora, sem um esforço.

Fiquei mais de uma hora a disparatar horrores e ele não moveu uma pestana, perguntei-lhe se ele sabia qual tinha sido a pior saída da minha vida, e ele simplesmente respondeu ao Cristo Rei, ele próprio teve noção do que se tinha passado nesse dia, e nada fez, assim que teve oportunidade nesse dia fugiu, sem se quer olhar para trás, foi aí que ele assinou a sentença de morte de qualquer tipo de relação que pudesse querer ambicionar ter comigo, mas isso já tinha passado… estava agora como o maior dilema da minha vida.
Naquela hora disse tudo o que me ia na alma, fosse verdade ou não fosse eu só o queria atingir, queria que ele me mostrasse alguma coisa, alguma coisa que ainda valesse a pena, e ele simplesmente me ficou a ouvir. Posto isto apenas lhe disse, que ele já não tinha idade para brincar com os sentimentos das pessoas, eu não vivo na ilusão sei perfeitamente que há homens e mulheres no mundo que se dedicam a magoar os outros, mas eu acreditava que ele não era assim, e que se tivesse acontecido desta vez foi porque não tínhamos de ficar juntos e que ele ainda tinha salvação. Disse-lhe que se ele quisesse uma experiência tinha de ter cuidado com quem queria ter as experiências, que não fazia sentido ser com uma pessoa que se conhece desde sempre, porque aí corremos o risco de perder todo um passado juntos que é sempre bonito recordar, por causa de uma experiência que correu mal. De que vale uma amizade se a pomos em causa, se a destruirmos por causa de nada. Não faz sentido o que eu vivi com ele. Disse-lhe ainda que a próxima vez que ele se lembrasse de estar com uma mulher que tivesse a certeza do que queria, já não está na altura de brincar, mas sim de definir o que se quer para a vida. Disse-lhe ainda se ele gostava que tivessem feito uma barbaridade destas com uma das irmãs dele, o que obtive foi silêncio. Claro que se calou… é muito fácil criticar as pessoas e a atitude delas, o difícil é colocar-nos no lugar delas para ver quanto as magoámos… isso sim é difícil.

Eu estava furiosa, quando olhei para o relógio já eram 20 horas e estava a ficar tarde para mim, já estava farta de falar, falar, falar… e em troca tinha recebido apenas silêncio, estava saturada da situação e pus a mão às chaves para pôr o carro a trabalhar, foi quando ele reagiu a primeira vez, e disse: “não te vás embora, vamos continuar a falar”, olhei parva para ele, estupefacta como o que ele tinha acabado de dizer, ele pouco ou nada tinha dito durante esta hora e tal de impropérios que eu tinha despejado, para o ver reagir e ele nada.

Parei, olhei para ele e disse: “então fala que eu já estou farta de falar.” Foi quando ele disse um conjunto de coisas, que quanto a mim, mais valia ele ter estado calado, como até ali.

A única coisa que ele me conseguia dizer é que não havia outra pessoa, e insistiu naquilo ou ponto de me irritar e em resposta lhe dizer: “Mais valia que houvesse pelo menos assim eu entenderia o que tinha acontecido, havia uma razão.”

Assumiu, que visivelmente não reage a nada, não sei porque é que ele me estava a dizer aquilo, até porque eu já tinha percebido pela conversa que estávamos a ter. Qualquer outra pessoa, tinha se passado comigo e de duas, uma, eu não tinha dito metade das coisas, porque me tinha deixado a falar sozinha, ou simplesmente tinha argumentado comigo o suficiente para eu não dizer metade das coisas, e ele não ouviu e calou-se. O que denota de duas, uma, não ouviu nada do que eu disse, ou simplesmente assumiu a vergonha de tudo o que lhe estava a dizer… porque definitivamente é vergonhoso, um homem desta idade comportar-se como ele o fez.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Fevereiro 2005 III

Mais uma vez ele foi para a terra, e como das outras vezes, mas pior desta, não me disse nada enquanto lá esteve até que não me comecei a irritar com a atitude dele, e comecei descontroladamente a dizer o que me ia na alma, e o problema é que não era nada positivo.

Só hoje, no momento em que escrevo, é que percebo que teríamos de ter aprendido muitas coisas juntos para que esta relação desse certo, e em vez disso, criámos um abismo intransponível entre nós.
Com a atitude dele tornei-me possessiva, não no sentido de controlar o que ele fazia, porque isso eu nunca fiz, nunca lhe perguntei o que fazia, onde estava, com quem estava… não era isso que me interessava, quando ele não estava comigo, a vida era dele, não me interessava o que ele fazia, desde que não me magoasse ele podia fazer o que quisesse, desde que isso o fizesse feliz. A minha possessividade prendia-se com facto de ele não se interessar por mim… e esse pensamento estava constantemente a invadir-me a mente, era como uma roda-viva, era com essa atitude dele que me causava insegurança, parecia que nada era natural, parecia que estava a viver uma farsa, e infelizmente estava. Não é natural que uma pessoa que diga que gosta de ti, não sentir a tua falta quando está longe, e ele não sentia, a atitude dele foi diminuindo a minha confiança e as minhas defesas foram por terra, e a partir daqui a minha defesa começou a ser o ataque… eu não sabia como lidar com ele. Nunca soube. Das vezes que lhe perguntei o que ele queria de mim, o que estava à espera desta relação, ou desconversava, ou simplesmente diminuía a importância da pergunta até que deixei de a fazer… eu fui estupidamente aceitando o pouco que ele me dava. Que sentimento foi este que fez com que eu deixasse de gostar de mim mesma, nunca pensei que isso fosse possível. Mas eu tornei-me irreconhecível a mim mesma.

Desta vez enquanto ele esteve na terra, e eu fui-lhe chamando à atenção sobre o facto de ele não me dar atenção, ele foi pedindo desculpas, mas para quê as desculpas se no dia a seguir nada fazia para mudar a atitude dele, até que comecei a ser arrogante e cínica nas mensagens que lhe mandava, definitivamente eu tinha chegado ao limite, e já não conseguia evitar ser rude com ele, porque ele tinha-o sido sempre ao longo nesta suposta relação que para ele parece que não foi nada e para mim foi a minha vida. Eu torturei-me durante quatro meses em prol de um sentimento que era mais do que bonito, tinha sobrevivido ao tempo, e a outras pessoas, e parecia mais activo que nunca, mas não dava para ignorar no pesadelo que se tinha tornado.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Fevereiro 2005 II

Embora ainda não tenha feito referência a isso, o Rui tinha o hábito de chegar sempre depois da hora combinada, já lhe tinha dito por outras vezes que isso chateava-me, considerava uma autentica falta de respeito, pelo menos que avisasse. Quando o chamei à atenção, começou-me a avisar, claro está que estava sempre a mandar mensagens a dizer que ia chegar um pouco mais tarde… mas muitas vezes me apercebi que para ir ter com os amigos e o irmão os horários eram para ser cumpridos, comigo é que não, quando estava comigo e tinha um encontro marcado, depressa me despachava, mas se eu tinha algum encontro isso não lhe dizia respeito… até hoje me pergunto o que é que eu estava a fazer com ele… não me respeitou como mulher, não me respeitou como amiga, e sobretudo não me respeitou como pessoa… como é que eu podia gostar de uma pessoa assim. Que mudava comigo da noite para o dia segundo razões que eu não entendo. Se era vergonha, como já sugeri anteriormente, o que é que ele estava a fazer comigo, o que o mantinha ali, o que o fazia voltar… algum prazer sórdido em me magoar, alguma vingança que eu não entendo, será que lhe tinha feito algum mal e não me tinha dado conta disso. A única coisa que sei é que tentei na vida ser correcta com tudo e com todos, mas a vida mostrou-me o quão incorrecta ela pode ser. As barbaridades que uma pessoa tem de passar na vida, são inúmeras, eu faço por manter a minha postura de sempre na vida, mas às vezes dá uma vontade enorme de mandar tudo para o alto, e retribuir à vida aquilo que ela nos faz… mas depois onde é que eu estaria? Quem era eu? No que é que tinha transformado a minha vida? São perguntas para as quais eu não tenho resposta e por isso evito faze-las e manter-me como estou, porque apesar de tudo assim sinto-me bem na minha pele.
Num encontro posterior, à hora combinada lá estava eu, até que o tempo foi passando, primeiro 10 minutos e nada, nem uma mensagem a dizer que vinha mais tarde, passaram 20 minutos e novamente nada, para uma pessoa cumpridora de horários, e completamente stressada com atrasos, e nunca escondi isto, cheguei aos trinta minutos e fui-me embora, mas ainda assim mandei uma mensagem arrasadora antes de partir… uma hora depois do combinado ainda não tinha dito nada… eu não sabia o que havia de pensar, estava preocupada com ele e ao mesmo tempo depois de tudo o que já tínhamos vivido, algo me dizia que estava a chegar ao fim, e o meu medo aumentava à medida que os minutos passavam, minutos que pareciam uma eternidade sem noticias dele, estava a matar-me aos poucos a angustia que sentia.
Acabou por me telefonar, muito depois de eu já estar num estado lastimoso, a pedir-me desculpas, que o telemóvel dele tinha tido um problema (sempre tinha), mas desta vez deu-se ao trabalho de comprar um novo, mesmo assim não era preciso mais de uma hora para comprar um telemóvel… pediu-me para ir ter com ele, e lá eu liguei o carro e voltei a fazer o caminho todo de volta, num desanimo tal que nem sabia o que isto ia dar, eu sabia que se abrisse a boca acabaria por fazer asneira e optei por não dizer nada até que tivesse mais calma, o tempo que tivemos juntos foi só para ver o novo telemóvel dele… ele próprio não estava muito preocupado com o que eu tinha sentido durante todo o tempo que ele não deu noticias… e não se preocupava sempre que estava de serviço ou na terra, eu só existia quando ele estava comigo e ainda assim era só porque ele estava na expectativa que lhe pudesse dar alguma coisa em troca do tempo que ele gastava comigo. Porque gostar começo a achar que ele nunca gostou, uma pessoa que tem vergonha de te dar a mão, um abraço, era tão pouco que eu pedia para que isto desse certo.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Fevereiro 2005

No início de Fevereiro encontrámo-nos, e neste encontro eu estava mais do que decidida a ter uma conversa com ele, mas à medida que o tempo passava a minha coragem ia desvanecendo, que é feito de mim, que medo é este que me invadiu de tal modo que não me deixa reagir, eu estava a pôr tudo a perder, mas ao mesmo tempo se começasse uma qualquer conversa com ele, e ele dissesse um qualquer disparate ter-me-ia saído tudo o que não queria que saísse, eu sabia que tinha de fazer as coisas com calma, mas ao mesmo tempo já estava com uma carga de nervos tal que não conseguia iniciar nenhuma conversa que não previsse um final trágico, e mais uma vez completamente destruída pela minha inércia, e falta de coragem o encontro acabou sem nenhum envolvimento pois já tinha prometido a mim mesma que não haveria qualquer avanço da parte dele sem que uma conversa existisse, é certo que mesmo ele insistindo nos avanços eles não aconteceram, mas a conversa também não. Porquê é que não consegui!? Mas ainda assim fomos ficando os dois e o tempo ia passando, a minha mãe telefonou-me para saber se ia jantar, e mais uma vez menti-lhe. Para quê?

Isto não é normal, eu ponho em causa os valores de toda uma vida, e em troca recebo dúvidas, incertezas e indefinições…

Definitivamente, não é normal!

3Doors Down "Here Without You"