terça-feira, março 29, 2005

Março 2005 VI

A semana que o Rui tinha dito que dizia alguma coisa estava a passar, e ele nada, o final desta semana correspondia à Páscoa, e eu para ver o que ele dizia mandei-lhe uma mensagem a dizer apenas: “Boa Páscoa” ao que ele respondeu no dia a seguir: “Que também tenha sido para ti. Uma boa semana de trabalho.” Em todos os sentidos esta resposta correu bem, nem se quer fez referência ao facto de termos de falar, talvez ele não quisesse, mas também porque é que não dizia. Respondeu como a um conhecido, alguém que não tem importância na vida dele, que nunca teve. Era óbvio que não ia falar comigo e por isso mesmo comecei a desafia-lo, era a última tentativa que me restava: “Estou a ver que não fazes intenção de arranjar tempo para falar comigo. Qual é o motivo para não queres falar comigo? Que foi que eu fiz? Eras tu que querias ter esta conversa, lembraste?” Rapidamente me respondeu: “Eu disse-te que tinha pouco tempo, mas além disso não estou a fugir de nada, esta semana estou a trabalhar à noite e para a semana estou fora.” Foi um soco no estômago, definitivamente ele não ia falar comigo. Era o estalo que eu precisava para acordar, ele estava a virar-me as costas e, é triste, eu ter consciência que ele vai se arrepender desta atitude que teve comigo. Desisti, já estava a pôr o meu amor-próprio em causa, e ele começava a não merecer. Para ser honesta já fazia muito tempo que ele não merecia.
Parecia que o mundo estava empenhado em me tentar, pois no dia a segui ao Rui ter mais uma vez desprezado qualquer interesse da minha parte, o Ricardo fazia mais uma investida na tentativa de me conquistar, mais um convite que foi recusado… aquele rapaz era incansável, nem que fosse pelo facto de ele não desistir ele merecia ter a oportunidade dele, mas eu não era capaz de a dar. Ele merecia mais do que os restos de outro. E para me ter apenas pela metade, mais valia não ter, acredito que assim sofria menos. Não sou melhor do que ninguém mas tento ser justa. Da mesma formar que sonho em ser correspondida nos meus sentimentos, não posso desejar menos às pessoas pelas quais tenho um enorme afecto, carinho e amizade.

sábado, março 26, 2005

Março 2005 V

No entretanto, eu e os meus amigos de Lisboa começamos a organizar-nos para ir passar o fim-de-semana grande do feriado de 25 de Abril ao Gerês. Eu tinha consciência que a viagem ia ficar um pouco cara para o meu bolso, mas eu ia fazê-la na mesma, até era na altura do meu aniversário, ia ficar como prenda de aniversário. E além disso eu precisava de um pouco de alegria na minha vida. Afinal, amor não tenho, emprego não tenho, dinheiro não tenho, vivo na corda bamba, mas pelo menos realizo um sonho: conheço o meu país.
Quando estávamos a combinar as coisas para o Gerês, o Ricardo andava impossível, até uma declaração me fez, à frente de quem quisesse ouvir. Eu e o pessoal estávamos admirados com a atitude dele, mais uma vez lhe disse a minha opinião, mas ele definitivamente é um querido comigo. O problema disto tudo, é que eu gosto do carinho que ele me dá, mas não posso de maneira nenhuma usar esse carinho e criar falsas esperanças no coração deste rapaz. Não tenho esse direito. Quantas mulheres nesta vida, aproveitam-se de uma grande decepção, para justificar as suas atitudes menos correctas em relação às pessoas que gostam delas, como se alguém tivesse o direito de magoar alguém. Como se o facto de a pessoa que eu gostasse me ter deixado, me desse o direito de tratar mal todas as pessoas que gostam de mim. Espero nunca perder o meu senso de justiça, por mais que seja maltratada pela vida e pelas pessoas que fazem parte da minha vida. Que Deus me proteja de tal atitude, posso cometer muitos erros mas espero nunca cometer esse. Porque o maior desrespeito seria por mim mesma, e pelos valor que eu preservei ao longo de toda a minha vida. Tive várias pessoas a defender o Ricardo e o sentimento que ele tinha por mim, numa luta incessante para que eu ficasse com o Ricardo, com algumas dessas pessoas acabei por explicar que gostava de outra pessoa (o que não era mentira por mais que me custe admitir) para que me deixassem em paz, mas ainda assim houve quem de dissesse para lhe dar uma oportunidade, porque não tinha nada a perder. E quanto mais me falavam disso, mais me convenciam do contrário. Eu nunca era capaz de estar com uma pessoa, a pensar noutra, foi coisa que nunca consegui fazer, e não ia fazer isso a ele, embora não fosse como ele queria eu gostava muito dele, e a única coisa com que me preocupava era magoa-lo o menos possível. E eu não o ia usar, para esquecer seja quem for. Eu nunca consegui estar com uma pessoa de quem não gostasse o suficiente para sonhar com um futuro junto… talvez por isso nunca tenha tido muitos namorados, e os que tive foram sonhos tão pequenos comparados com o sonho que tive com o Rui.

domingo, março 20, 2005

Março 2005 IV

Incentivada pelas minhas amigas, as poucas que sabiam da minha relação com o Rui, e fartas de me ver sofrer, acabei por lhe mandar uma mensagem um mês depois da discussão final. Dizia:Já passou algum tempo, é pena que ainda não tenhas tido tempo para conversarmos, continuo a achar que é importante termos uma conversa mais calma, diz qualquer coisa quando puderes”. Ao que ele me respondeu: “Esta semana não deve de dar, estou longe. Para a semana digo-te qualquer coisa. Mas está tudo bem contigo?” Esta mensagem deixou alguma esperança, afinal ele tinha tido o cuidado de responder no mesmo dia e ainda mostrou alguma preocupação comigo, mas ao mesmo tempo eu não queria ter esperanças, até porque sabia que não ia conseguir ter conversa calma nenhuma, parecia que tudo tinha acontecido ontem, e não que um mês já tinha passado. Mas que remédio eu tinha se não esperar que esta semana passasse depressa para ver o que ele dizia… havia expectativa, tenho de admitir.

quarta-feira, março 16, 2005

Março 2005 III

O Ricardo ainda não sabia que eu e o Rui tínhamos terminado, e não parava insistentemente de se meter comigo, a meio de Março na brincadeira pediu-me em casamento, esse rapaz não tem juízo nenhum, mas fazia-me rir… ele é uma excelente pessoa, está aí uma pessoa que tenho pena de não ter gostado. Acho que o azar dele foi ter aparecido na altura errada na minha vida, e ter optado pela pior atitude comigo. Mas não somos nós que escolhemos de quem gostamos, infelizmente!!!
(Piadinha!!!)
(...)

Março 2005 II

Nesta altura tenho de admitir a única coisa que me transmitia alguma vida, eram os momentos que passava com a minha afilhada e o irmão, que são duas crianças hiperactivas que não me davam descanso, mas ajudaram-me imenso porque a vontade que eles tinham de estar comigo, acabava por ser um pouco o colinho que eu precisava, o carinho deles era como uma luz no final do túnel, a alegria que eles me transmitiam era o elixir de vida que precisava. Só mesmo as crianças para nos fazer sentir melhores pessoas, devo-lhes muito.

quarta-feira, março 09, 2005

Março 2005

Só no inicio de Março é que falei com a Isabel sobre o que tinha acontecido com o Rui, no dia em que o fiz, ela praticamente não ouviu o que lhe disse, estava a achar estranha a atitude de um amigo nosso que se estava a meter com ela, e não conseguiu perceber que eu estava mal, e acabei por apenas lhe dizer que o Rui e eu tínhamos terminado, não sei o quê que nem sequer começou. Quando sai da casa dela fiquei com a ideia de que ela não tinha percebido o que se tinha passado comigo, mas naquele momento já nada me atingia.
Dias depois ela veio falar comigo, a desculpasse que tinha sido egoísta, que a final aquilo que ela queria partilhar comigo era apenas uma brincadeira, e o que eu estava a viver não o era. Noutra qualquer circunstância ter-me-ia chateado com ela, mas eu já não tinha forças, estava completamente apática, já não sentia mais nada se não a dor do Rui ter partido, já nada do que se passava à minha volta eu via. Houve uma parte de mim que morreu ali, e tinha levado o meu entusiasmos, a minha força, a minha vida. Mas eu estava disposta a recuperar tudo isso, eu só tinha de encontrar as minhas forças, para poder dar a volta por cima e continuar a minha vida… era só o que eu queria. Mal sabia que estava apenas no início de uma grande luta interior, a mais dolorosa da minha vida. Ele em tão pouco tempo tinha-se tornado no meu equilíbrio, era nele que eu ia buscar as minhas forças… e ele partiu, e com ele foi o que eu tinha de mais bonito, os meus sonhos.

3Doors Down "Here Without You"