terça-feira, setembro 28, 2004

Setembro 2004 III

No último fim-de-semana de Setembro voltei à terra, e antes de sair de Lisboa mandei-lhe uma mensagem a dizer que ia, fiz a viagem e quando cheguei a Vila de Rei ainda não tinha recebido mensagem nenhuma dele… o meu mundo desabou era preciso ter muito pouca consideração para não dizer nada. Chego à conclusão que o mundo à minha volta é tão diferente do meu mundo, talvez o meu mundo esteja errado, mas eu não o quero mudar sou feliz no meu mundo ingénuo, mas ao mesmo tempo estou frágil ao mundo exterior, e muito influenciada por esse mundo cruel. Mais tarde recebi uma mensagem dele a dizer que estava de serviço nos Bombeiros, aí entendi o facto de ele não ter respondido antes. Embora ache que eles não deve fica sem os telemóveis, nem devem ser impedidos de mandar mensagens, mas como não conheço o sistema de serviços dos Bombeiros não posso criticar. Na mensagem dele vinha incluído o desânimo de não poder estar comigo, desanimo que também eu estava a sentir, tinha ido lá por causa dele, tenho de admitir e não o ia ver… a vida é mesmo injusta. Mas ao mesmo tempo ainda havia uma esperança porque ele dizia que ia tentar fazer a troca de serviço… hoje pergunto-me para quê este esforço? Na altura fiquei feliz por saber que ele ia tentar a troca, e se o fazia por mim é porque eu era importante para ele. E só por isso já tinha valido a pena ir ali.
Eu e o meu primo fomos até o bar na Vila, e enquanto estávamos à espera dos amigos dele para irmos até à Sertã, recebi uma mensagem do Rui a perguntar se ainda estava no bar, e mais tarde apareceu… para eu espanto acompanhado pelo irmão, mas o Luís nem estranhou a minha presença, foi estranho. Agi normalmente, falei com os dois, mas tenho que admitir que dei mais importância ao que o Rui dizia, também o Luís pouco ou nada disse, e diria menos se eu não lhe perguntasse nada. Ainda estive um pouco a falar com eles, quando os amigos do meu primo chegaram, e quiseram ir embora para a Sertã, perguntei-lhe se queria ir… pediu-me para ficar e eu não fiquei, eu pedi-lhe para vir e ele também não veio… mas o mais giro foi quando me segurou para que eu não fosse… mas ainda assim fui. São os desencontros da vida. Neste fim-de-semana não o voltei a ver, e eu voltei a Lisboa e ao meu mundo cinzento. Mas esta semana iria começar a ter um pouco mais de alegria, afinal ele vinha para Lisboa, para ficar por algum tempo.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Setembro 2004 II

Nesta altura punha tudo em causa, se ele gostasse de mim, não era de agora, não fazia sentido um dia ele ter acordado e pensado que eu seria uma rapariga interessante para ele se meter, ninguém faria isso quando estamos a falar de um relacionamento de 9 anos, era muito arriscado, e ninguém arrisca isso por dá cá aquela palha. Eu quero acreditar nisto, acreditar que ainda há pessoas boas no mundo que não põe em causa uma amizade por nada que não seja menos que importante, é o respeito mínimo que qualquer amizade merece. E isto ainda era o que me fazia acreditar que mesmo ausente, ele tinha de ter um interesse por mim e esse interesse não podia ser pequeno, ou ele seria uma pessoa muito má, ao ponto de querer abalar com a minha vida por causa de nada… esta vida seria muito injusta comigo se assim fosse.

A vontade que ele tinha de estar comigo era evidente, o que punha por terra todas as dúvidas que eu tinha, estava sempre a perguntar-me quando é que eu ia à terra, e quando eu dizia, por um motivo ou outro que não dava, até por mensagem era evidente a decepção dele, será que era? Ou era eu que fantasiava essa decepção… cada vez entendo menos o que se passou. Porque quando ele dizia alguma coisa, era com um carinho extremo, o problema é que ficava muito tempo sem dizer nada, e isso provocava insegurança, medo e criava um enorme abismo entre nós dois… a distância.

quinta-feira, setembro 02, 2004

Setembro 2004

Enquanto estas novas sensações me invadiam abruptamente, e o meu sentimento pelo Rui evoluía à velocidade da Luz, o Ricardo continuava imparável, de vez em quando lembrava-se de me bombardear com mensagens carregadas de carinho, e neste momento tinha o meu coração partido de duas formas. Por não conseguir corresponder ao sentimento do Ricardo, o que de alguma forma fazia com que o magoasse, e depois era a confusão de sentimentos em relação ao Rui e às atitudes dele, ora parecia que estava tudo bem, ora parecia que se esquecia de mim… nunca me dei muito bem com estes jogos de sedução… sempre levei a pior, e começava a achar que algo não estava bem e mais uma vez não conseguia perceber o quê.

Não havia maneira de me sentir feliz, afinal não havia segurança em nada, não havia coerência, o comportamento dele era instável e isso fazia com que me sentisse hesitante em continuar com isto para a frente. Hoje reconheço que muito do que fiz e aceitei que ele fizesse, foi impulsionado pelas minhas amigas, que diziam que eu merecia ser feliz, que tinham a esperança de que desta vez desse certo, segundo elas nunca me tinham visto tão feliz… apesar de toda a minha insegurança. Ingenuamente quis acreditar em tudo o que me disseram, e depois haviam coincidências da vida que mais ajudavam. Nesta altura eu e ele estávamos a ler o mesmo livro “Os laços que perduram” de Nicholas Spaks que contava a história de dois amigos, que com o tempo descobriram que se amavam. Mas foi apenas isso uma coincidência.

3Doors Down "Here Without You"