segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Fevereiro 2005 III

Mais uma vez ele foi para a terra, e como das outras vezes, mas pior desta, não me disse nada enquanto lá esteve até que não me comecei a irritar com a atitude dele, e comecei descontroladamente a dizer o que me ia na alma, e o problema é que não era nada positivo.

Só hoje, no momento em que escrevo, é que percebo que teríamos de ter aprendido muitas coisas juntos para que esta relação desse certo, e em vez disso, criámos um abismo intransponível entre nós.
Com a atitude dele tornei-me possessiva, não no sentido de controlar o que ele fazia, porque isso eu nunca fiz, nunca lhe perguntei o que fazia, onde estava, com quem estava… não era isso que me interessava, quando ele não estava comigo, a vida era dele, não me interessava o que ele fazia, desde que não me magoasse ele podia fazer o que quisesse, desde que isso o fizesse feliz. A minha possessividade prendia-se com facto de ele não se interessar por mim… e esse pensamento estava constantemente a invadir-me a mente, era como uma roda-viva, era com essa atitude dele que me causava insegurança, parecia que nada era natural, parecia que estava a viver uma farsa, e infelizmente estava. Não é natural que uma pessoa que diga que gosta de ti, não sentir a tua falta quando está longe, e ele não sentia, a atitude dele foi diminuindo a minha confiança e as minhas defesas foram por terra, e a partir daqui a minha defesa começou a ser o ataque… eu não sabia como lidar com ele. Nunca soube. Das vezes que lhe perguntei o que ele queria de mim, o que estava à espera desta relação, ou desconversava, ou simplesmente diminuía a importância da pergunta até que deixei de a fazer… eu fui estupidamente aceitando o pouco que ele me dava. Que sentimento foi este que fez com que eu deixasse de gostar de mim mesma, nunca pensei que isso fosse possível. Mas eu tornei-me irreconhecível a mim mesma.

Desta vez enquanto ele esteve na terra, e eu fui-lhe chamando à atenção sobre o facto de ele não me dar atenção, ele foi pedindo desculpas, mas para quê as desculpas se no dia a seguir nada fazia para mudar a atitude dele, até que comecei a ser arrogante e cínica nas mensagens que lhe mandava, definitivamente eu tinha chegado ao limite, e já não conseguia evitar ser rude com ele, porque ele tinha-o sido sempre ao longo nesta suposta relação que para ele parece que não foi nada e para mim foi a minha vida. Eu torturei-me durante quatro meses em prol de um sentimento que era mais do que bonito, tinha sobrevivido ao tempo, e a outras pessoas, e parecia mais activo que nunca, mas não dava para ignorar no pesadelo que se tinha tornado.

3Doors Down "Here Without You"