quinta-feira, abril 29, 2004

Abril 2004 II

Outra coisa que me tirava do sério com o Ricardo, eram os constantes presentes que ele me dava, isso irritava-me, cheguei a questionar-lhe se ele me queria comprar, fui tão má… não tinha o direito. No meu aniversário, deu-me o conjunto completo do perfume que eu mais gostava, fiquei chocada, não é propriamente um presente barato, disse-lhe que não podia aceitar. Ele quase que chorou. A Isabel que estava por perto, disse-me que se eu não aceitasse que se chateava comigo, que ele tinha-lhe perguntado qual era perfume que eu gostava, e ela tinha-o ajudado, só não sabia que ele me ia dar o conjunto completo, mas que certamente não tinha tido má intenção. Perante toda esta cena fiquei sem argumentos e trouxe o presente comigo, tenho que admitir com má vontade. E ainda assim foi a pessoa que mais carinhosamente me deu um presente. Eu fui tão injusta com uma pessoa que não mereceu, tão injusta. Foi provavelmente a pessoa que passou na minha vida que mais mereceu que eu gostasse dele, mas não somos nós que mandamos. Não há pedido de desculpas que retire tudo aquilo que lhe fiz.
Mas por mais que eu fosse injusta o Ricardo era incansável, não desistia, e eu já estava a desesperar com a insistência dele, e comecei a afastar-me ainda mais do grupo, para evitar encontrar-me com ele. Ele convidava-me para sair e eu recusava. Cheguei ao ponto de não lhe responder às mensagens, toques, e evitei ao máximo atender o telefone, se algum dia fui mal-educada com alguém foi com ele. E não me canso de dizer ele não merecia. Ele foi sempre um querido comigo. Se alguma vez eu tive a atenção de alguém foi dele, um carinho constante, ele era mais que impecável comigo, mas tudo isso era exagerando para mim, sobretudo no momento em que me encontrava. Quanto mais ele persistia, mais eu me afastava.

Embora já esteja a falar do Ricardo à bastante tempo, é bom não esquecer que ainda estava a ser perseguida pela insistência do segurança, será que esta gente não deixa os outros respirar, eu tenho o meu espaço e gosto de o preservar, respeitem isso. Eu respeito o espaço dos outros, respeitem o meu.

quinta-feira, abril 08, 2004

Abril 2004

Em Abril, o ambiente no meu local de trabalho estava a tornar-se menos pesado, e o castigo de ir trabalhar tornasse cada vez menor… já não era sem tempo, precisava de um pouco de paz, nem que fosse apenas no meu local de trabalho.

Por mais que fosse agressiva com o Ricardo, ele não parava de me rondar, devia de achar que me ia conquistar pela insistência. Tão enganado que ele estava, quanto mais insistia, mais ele me perdia… eu cheguei-lhe a dizer isso, eu dei-lhe dicas e nada… ele mandava mensagens a toda a hora, telefonava-me, quando saia com o pessoal ao fim-de-semana, ele não me largava, literalmente, não me largava. Ao pé dele quase não conseguia respirar, era insólito o mal que ele me conseguia, sem me fazer mal nenhum. Eu até gostava da companhia dele, mas não quando começava a dizer que gostava de mim, e fazia-o com uma facilidade angustiante. E cada vez que ele o fazia, menos eu acreditava naquilo que ele dizia sentir, mas ao mesmo tempo, quanto mais mal o tratava, menos ele se ia embora. Se alguém, algum dia me fizesse um terço daquilo que lhe fiz, era mais seguro que essa pessoa não me dirigisse a palavra, ou corria o risco de levar com uma corrente de impropérios, e ia feliz e contente para casa, por não ter sido pior. A capacidade que ele tinha para falar era inesgotável, não foram poucas as vezes que tive de o mandar calar, para me fazer ouvir, e eu não gosto de mandar calar ninguém, ele conseguia-me tirar do sério à velocidade da luz. Desde início que não tive muita paciência com ele. Eu estava a passar um mau momento, ele sabia disso, e não respeitava o meu espaço, e acabei por descarregar nele, sem querer, uma raiva que não era para ele. Tenho que admitir que ele foi o meu melhor amigo nesta altura, e eu fui muito pouco amiga para ele, reconheço, e até hoje me culpo por isso.

3Doors Down "Here Without You"