segunda-feira, maio 24, 2004

Maio 2004 III

Penso que sem qualquer interferência que o Rui podia exercer sobre mim, decidi que ia falar apenas o essencial com segurança do meu trabalho. E no final do mês Maio tive uma conversa muito séria com o Ricardo, disse-lhe que estava no meu limite, não suportava mais a pressão que ele e o pessoal estavam a fazer. Disse-lhe ainda que o maior erro dele foi não ser discreto e dar oportunidade dos outros se meterem onde não deviam. Para rematar em grande disse-lhe que não acreditava naquilo que ele dizia sentir por mim, porque ele não me conhecia, nem me deu tempo de mostrar como eu sou. Para mim, ele gostou de uma pessoa que lhe foi descrita pelo amigo que nos apresentou, eu sei que esse rapaz gosta muito de mim, por aquilo que sou, e é possível que tenha dito isso ao Ricardo, e isso o tenha influenciado, mas conhecer-me ele não me conhece. Na realidade, neste momento da minha vida, nem eu me reconhecia, quanto mais os outros. Nesta altura tenho a sensação que tinha envelhecido, tinha me tornado mais triste e muito mais desconfiada.

Sei que mais uma vez fui dura com ele mas prefiro assim, a sentir que enganei ou usei alguém porque não gostaria que me fizessem o mesmo a mim.

Hoje em dia as pessoas não estão habituadas que sejam honestas e verdadeiras com elas, já vivem a própria mentira. Esta atitude não me diminui a minha responsabilidade e dureza de comportamento com o Ricardo, mas ao mesmo tempo deixa-me feliz por não pôr de parte, em circunstância alguma, a minha rectidão e a minha coerência das minhas escolhas na vida, e nesse sentido admiro muito o respeito que tenho por mim mesma. Porque este respeito faz-me andar de cabeça erguida. E quem decide na minha vida sou eu, e nunca mais darei oportunidade de se meterem na minha vida como o fizeram agora. É uma violação do meu espaço e da minha vida.

segunda-feira, maio 17, 2004

Maio 2004 II

Ao contrário do que estava à espera no dia a seguir o Rui respondeu-me a dizer que estava em Faro, estranho porque raio é que ele queria que eu soubesse que ele estava em Faro. Aí! Aí! O que este quer agora.

Nos dias que se seguiram não deixou de me responder às mensagens que mandava, tenho que admitir que gostei, mas comecei a ficar preocupada, o que é que se estava a passar, porque é que ele sem mais nem menos se lembrou de mim? Está a falta-me uma peça para completar o puzzle. Até que houve um dia que falhou e pensei, este é o Rui que eu conheço e, agora sim, vai deixar de me escrever mensagens, daqui a alguns meses volto ter notícias dele. Mas depois voltou a responder-me. Continua a ser estranho esta aproximação do Rui e estava com medo de me entusiasmar. Estava na altura em que queria afastar o pessoal de mim, e curiosamente fui fazendo o contrário com ele, e só agora que estou a escrever é que me apercebi disso. Inconscientemente escolhi-o a ele, novamente. Sempre foi assim, todos os anos foi assim, passasse quem passasse na minha vida ele foi sempre ficando. E isso foi o que mais me assustou, e não queria entusiasmar demasiado. Tenho que admitir, desta vez estava com medo, e não sei explicar porquê.

domingo, maio 16, 2004

Maio 2004

Estava a começar a resolver a minha vida e a recuperar a minha calma natural, que há muito estava a ser abalada, quando no dia 14 de Maio recebo da parte do Ricardo uma mensagem que me parte o coração, o facto de não conseguir nem estar disposta a gostar dele faz-me doer o coração cada vez que ele de alguma maneira demonstra o que sente por mim, mas depois de tudo o que aconteceu, não dava. Eu não consigo olhar para ele, sem o ver como sendo aquela pessoa que nem respirar me deixa. E este impacto é muito forte para mim. Não há volta a dar.

No mesmo dia para ajudar à minha confusão, recebi do nada uma mensagem do Rui a perguntar-me se eu sabia onde ele estava naquele momento, fiquei estúpida a olha para o telemóvel, ainda pus em causa ele ter-se enganado a enviar a mensagem, nunca foi deste tipo de brincadeiras, mas achei piada, e perguntei-lhe se era em Lisboa, não fazia sentido ele mandar-me aquela mensagem se estivesse em qualquer outro lugar. Mas ele não me preocupava muito talvez daqui a 2 ou 3 meses mandasse-me a resposta.

Se eu achava que mais nada podia acontecer neste dia, mudei de ideias quando o segurança do meu trabalho me telefona a dizer que não deixava de pensar em mim. Comecei a assustar-me com a atitude deste homem, começou a ter um comportamento muito estranho comigo, tinha que arranjar maneira de o fazer afastar-se de mim, fosse como fosse.

Eu vou-me atirar a um poço e resolvo isto num instante. Estava a desesperar e só pedia a Deus que me ajudasse de algum modo a seguir o caminho certo para encontrar o sossego, nada mais. Era tão pouco o que eu pedia.

3Doors Down "Here Without You"