Com o passar do tempo, o Zé tornou-se uma pessoa muito importante para mim, e tenho consciência que gostei muito a sério dele, o que me deixava insegura. Nunca fui pessoa de muitos namoros, e para ser muito honesta ele era o meu primeiro namorado, o que fez com que confiasse muito nele, estava empenhada para que a relação desse certo… mas o meu empenho não foi suficiente. Ele não fez a parte dele. E como se costuma dizer, quando um não quer, dois não dançam.
O ritmo de vida dele também provocava algumas dúvidas. Ele era militar, até entendia ele não ter muito tempo para mim, o que era perfeito porque dava tempo para eu fazer as minhas coisas, porque eu odeio que me adulem, que me sufoquem, sou demasiado independente para permitir isso, e se isso acontecesse era um passo para o fim da relação. O que eu não entendia era quando ele tinha algum tempo, ele passava-o com todos menos comigo, isso é que eu não entendia. E esta atitude minha não era uma atitude egoísta, e é facilmente explicável.
Enquanto, eu não questionei um conjunto de atitudes dele, fui deixando passar uma situação que estava a pôr em perigo a minha relação com ele. Ele tinha uma amiga que não gostava muito de mim, e eu permiti que ela entrasse na nossa relação de tal maneira, que depois foi impossível afasta-la, porque ao faze-lo afastava-o de mim também. Como não podia pedir-lhe para ele se afastar dela, porque é contra os meus princípios, impedir que um namorado meu tenha os seus amigos (afinal ela existia na vida dele antes de mim), aquela situação foi me corroendo de tal maneira, que o meu comportamento com ele foi mudando, deixei de ser compreensiva, deixei de tolerar um conjunto de situações, afastei-me dele e ele retribuía na mesma moeda, o que em vez de incentivar a lutar pela relação foi-me preparando para o inevitável, a minha insegurança foi crescendo e o inevitável aconteceu, a relação terminou. Foram oito meses de namoro, dos quais apenas três não tiveram uma interferência directa da tal amiga, os restantes foram o cair para o abismo.