domingo, agosto 20, 2000

Agosto 2000 IV

No caminho de casa tinha decidido que não dizia à minha mãe que a relação com o Zé tinha terminado, mas quem nos conhece melhor, se não as mães? Claro que a minha mãe viu que não estava bem e acabei por lhe dizer. Assim como lhe dizer que ia sair com o pessoal nessa noite, se num dia eu vi medo no rosto da minha mãe, sem sombra de dúvidas foi naquele, mas ainda assim não desisti de sair… Não me divertia assim, há imenso tempo… naquele dia nasceu um novo eu, muito mais forte que no dia anterior.
Tenho que admitir que aquela alegria foi momentânea, no outro dia quando acordei, e tomei consciência de tudo o que tinha acontecido, só tinha uma decisão a tomar e tomei-a: agarrei-me aos estudos e trabalhei que nem doida para pagar os mesmos.

Com a cabeça metidas nos livros entrei no terceiro ano da universidade. E não pensava em mais nada senão terminar o curso.

sábado, agosto 19, 2000

Agosto 2000 III

Naquele último dia, quando ele estava a tomar a sua decisão de terminar, e começou por dizer que queria um tempo, respondi-lhe que um tempo não dava, se ele quisesse podíamos começar tudo de novo, mas que eu não esperava nem um segundo se quer, porque não era nenhum objecto que ele mudava de sitio sempre que quisesse, eu tinha vontade própria, orgulho e respeito por mim mesma. É das coisas que mais me orgulho, é do respeito que sempre tive por mim mesma. Quando a situação ficou resolvida, e efectivamente a relação terminada, disse-lhe umas quantas verdades e quando senti que as minhas lágrimas me chegavam aos olhos, por orgulho fui embora… e aquelas lágrimas não caíram até hoje.

Tinha chorado tanto nos últimos meses, que mesmo gostando dele, senti alivio por ter terminado…

sexta-feira, agosto 18, 2000

Agosto 2000 II

Quando a minha relação com o Zé terminou, tenho consciência que gostava muito dele, mas que não podia continuar aquela relação que apenas me estava a fazer mal, psicologicamente, cinco meses de tortura afectam qualquer um. E porque é que eu fiquei tanto tempo com ele assim? Não sei, porque gostava dele, porque tinha esperança que ainda desse certo… não sei.

Depois de tudo isto, aquilo que mais me impressiona a mim mesma, é a minha resistência à dor, à pressão psicológica… como é que eu podia acreditar que ainda podia dar certo, quando eu não via da parte dele nenhuma luta nesse sentido.
À relativamente pouco tempo, uma amiga minha disse e com razão, não são os outros que nos desiludem, somos nós que nos iludimos a nós mesmos. Criamos expectativas em relação às pessoas, e elas não sabem quais são as nossas expectativas, e a probabilidade de acertarem é mínima, logo a desilusão é quase certa.

Agosto 2000

Com o passar do tempo, o Zé tornou-se uma pessoa muito importante para mim, e tenho consciência que gostei muito a sério dele, o que me deixava insegura. Nunca fui pessoa de muitos namoros, e para ser muito honesta ele era o meu primeiro namorado, o que fez com que confiasse muito nele, estava empenhada para que a relação desse certo… mas o meu empenho não foi suficiente. Ele não fez a parte dele. E como se costuma dizer, quando um não quer, dois não dançam.

O ritmo de vida dele também provocava algumas dúvidas. Ele era militar, até entendia ele não ter muito tempo para mim, o que era perfeito porque dava tempo para eu fazer as minhas coisas, porque eu odeio que me adulem, que me sufoquem, sou demasiado independente para permitir isso, e se isso acontecesse era um passo para o fim da relação. O que eu não entendia era quando ele tinha algum tempo, ele passava-o com todos menos comigo, isso é que eu não entendia. E esta atitude minha não era uma atitude egoísta, e é facilmente explicável.

Enquanto, eu não questionei um conjunto de atitudes dele, fui deixando passar uma situação que estava a pôr em perigo a minha relação com ele. Ele tinha uma amiga que não gostava muito de mim, e eu permiti que ela entrasse na nossa relação de tal maneira, que depois foi impossível afasta-la, porque ao faze-lo afastava-o de mim também. Como não podia pedir-lhe para ele se afastar dela, porque é contra os meus princípios, impedir que um namorado meu tenha os seus amigos (afinal ela existia na vida dele antes de mim), aquela situação foi me corroendo de tal maneira, que o meu comportamento com ele foi mudando, deixei de ser compreensiva, deixei de tolerar um conjunto de situações, afastei-me dele e ele retribuía na mesma moeda, o que em vez de incentivar a lutar pela relação foi-me preparando para o inevitável, a minha insegurança foi crescendo e o inevitável aconteceu, a relação terminou. Foram oito meses de namoro, dos quais apenas três não tiveram uma interferência directa da tal amiga, os restantes foram o cair para o abismo.

3Doors Down "Here Without You"