terça-feira, novembro 30, 2004

Novembro 2004 VI

No fim-de-semana que estive em Portimão com a Marília, o Rui esteve em Vila de Rei e quando vinha de viagem recebi uma mensagem dele a perguntar se queria estar com ele, e dependia de mim a que horas ele vinha, fiquei pior que fula, tinha acabado de mandar uma mensagem para casa a dizer que já ia a caminho e que demorava mais ou menos 3 horas, o meu mundo desabou, a Marília ainda disse para eu dizer que sim, mas eu não tive coragem de mandar uma mensagem à minha mãe a dizer que afinal ia demorar mais tempo, é uma questão de respeito, percebo que ele quisesse estar comigo, eu também queria estar com ele, mas a responsabilidade desta situação era dele, se ele não quisesse tantos segredos, eu teria dito à minha mãe o motivo pelo qual ia chegar uma hora ou duas mais tarde que o previsto, e estaria com ele como eu queria estar… já tinha feito loucuras de mais por causa de uma relação que ele insistia em esconder, isto não dá para mim, não me ia esconder a vida toda, nem pensar. Ele é muito importante para mim, mas a minha mãe é mais. Tinha ficado um fim-de-semana fora, o que já não é muito comum. E eu sei como a minha mãe gosta de ter as crias debaixo das asas. Eu já tinha por várias vezes me esticado nas horas por causa dele, e se fosse ter com ele, eu sabia que não me ia portar muito bem, a Marília ainda inventou um esquema para eu ir ter com ele. Do género eu ia ter com ele, e depois dizia-lhe e ela levava-me a casa. Mas teoricamente ela não sabia que eu estava com ele, teoricamente ninguém sabia… a muito custo disse-lhe que não. Eu já estava farta de mentiras. E neste caso eu sabia que ia ficar mal das duas maneiras, se fosse ter com ele ficava mal, porque mais uma vez, por causa dele eu tinha de mentir à minha mãe, mas não ir ter com ele foi suicida, o meu coração ficou pequeno, apertado… eu queria tanto ter estado com ele. Naquele dia e em todos.
No final de Novembro fomos até Belém, comer uns pastéis de Belém e dar uma volta, ainda estivemos ao pé da Torre de Belém e vimos a montanha de ferro que era a Árvore de Natal que só é bonita à noite quando as luzes se acendem e rasgam o negro da noite, e que eu e ele não tivemos oportunidade de ver nesse dia.

domingo, novembro 28, 2004

Novembro 2004 V

Entretanto, ele teve folga do trabalho e voltou à terra, no dia em que ele vinha eu não podia estar muito tempo com ele, e no dia seguinte eu e a Marília íamos de viagem para Portimão… quando soube da folga dele e me apercebi do tempo que íamos ficar sem nos vermos comecei a questionai o estrago que isso iria causar na nossa relação, logo no momento em que achava que estávamos a seguir o caminho certo para que esta relação continuasse, os Deuses estava contra nós, definitivamente, estavam contra. Eu cada vez mais gostava de estar com ele, mas infelizmente essa certeza só tinha quando estava com ele, porque quando estava longe questionava muitas coisas, sobretudo, o medo que ele tinha em assumir esta relação, o que começava a chatear-me.

sábado, novembro 27, 2004

Novembro 2004 IV

Mas fiquei feliz por ele ter deixado o mundo dele para vir ter comigo. Quando nos encontrámos perguntei-lhe se queria ir passear até à praia. E assim foi… saímos do Parque das Nações rumo à Costa, e como ele não conhecia o caminho, fui-lhe dando as indicações, até que ele sem eu ter tempo de o corrigir saiu da via rápida que dava à Costa e saiu rumo à Fonte da Telha. Disse que ele estava enganado, que devíamos ter seguido em frente, ele questionou o que lhe estava a dizer, e seguiu sem desistir rumo à Fonte da Telha, mas tenho que admitir ainda bem que ele se enganou, nunca lá tinha ido e é lindíssimo. Foi sem sombra de dúvidas a tarde, ou final de tarde mais bonito da minha vida. Tive a oportunidade de ver o mais bonito pôr-do-sol que vi na minha existência, na companhia do homem da minha vida. E posso dizer que durante aquelas horas, ainda que poucas ele foi meu namorado, passámos momentos tão doces, e senti-me muito feliz por estar com ele. Poderei dizer que nunca me senti assim e não corro o risco de estar a mentir, porque me senti bem com ele. Este dia foi um bálsamo na nossa relação, foi como renascer, comecei a acreditar que tudo ia melhorar agora. Tivemos na praia como se mais nada estivesse à nossa volta, apenas eu, ele, a praia, o mar e o pôr-do-sol da minha vida, lindíssimo digno de qualquer cena de cinema – e uma cena muito romântica. E para derreter o que faltava ele rematou dizendo: “ É melhor estar contigo do que na terra.” Por eu saber que aquela terra é muito importante para ele considerei uma declaração, mas na realidade, naquele momento apercebi-me que estava a competir com o concelho de Vila de Rei… como é que é possível. Como é que se compete pela atenção de um homem com uma terra, eu também gosto daquela terra, mas nunca gostei de nada terreno ao ponto de pôr em causa um sentimento por uma pessoa, qualquer espécie de amor é mais importante para mim, do que uma paisagem, um carro, uma casa, um curso, uma viagem, uma caneta, qualquer objecto… embora eu precise de tudo isso para me sentir realizada como qualquer outra pessoa, nos tempos que correm tudo isso representa conforto, conhecimento, comodidade… mas onde é que está a felicidade se não puder compartilhar tudo isso com outra pessoa.

Eu não sei, mas ele deve saber…

sexta-feira, novembro 26, 2004

Novembro 2004 III

(...)

quinta-feira, novembro 25, 2004

Novembro 2004 II

A situação piorou quando ele não querendo um compromisso, nem que fosse só uma promessa, estava disposto a avançar num plano mais íntimo, foi aí que as coisas complicaram... mas o problema é que eu estava a perder a confiança… a atitude dele comigo era de uma leviandade tal, que pus em causa algum dia ele ter sido meu amigo. Nós já tínhamos uma história para trás, uma amizade, julgava eu… mas da maneira como ele estava a fazer as coisas punha tudo em causa… e estava a ser doloroso. Mesmo sem ele se aperceber, ou fingindo que não se apercebia, eu fui tentando ultrapassar as minhas limitações para ele que não achasse que eu era uma parvinha cheia de complexos, mas agora eu vejo que era mesmo uma parvinha cheia de complexos.

sexta-feira, novembro 05, 2004

Novembro 2004

Novembro entrou, e nós continuámos a encontrar-nos, e ele sempre a cumprimentar-me como a uma amiga, inicialmente falávamos de banalidades e depois de algum tempo ele tomava a iniciativa, e curtíamos, andávamos… dêem-lhe o nome que quiserem, eu até hoje tenho dificuldades de perceber o que é que eu tive com ele. E isto era ritual, em todos os encontros. Como devem calcular não há sentimento que resista, mas contudo, eu fui sempre empurrando com a barriga na esperança que melhorasse.
Ainda assim no início de Novembro, chegámos a ter uma conversa sobre nós, ainda que suavemente, para não o assustar, disse-lhe que estava descontente, mas ainda assim tudo ficou na mesma. Como ele dizia: “Deixa andar, vamos ver o que isto vai dar”. E eu pensava com esta atitude boa coisa não deve de dar.

A dada altura ele chegou-me a perguntar se tinha ido à terra por causa dele e eu surpresa com a pergunta, dei a entender que sim. Eu gostava tanto que ele tivesse tido consciência do que me estava a fazer, nunca percebi se não entendia ou fazia que não entendia. Mas pus em causa uma coisa, uma verdade quase irrefutável, que os primeiros tempos de uma relação são sempre um mar de rosas. Tenho que admitir que eu devo ser uma pessoa muito má, porque nem isso eu tive direito. Eu não fui feliz, nem no início, nem no meio, nem no fim e nem agora… e como eu gostava dele, ele nem sonha o quanto eu gostei dele. Mesmo não sendo feliz o pouco que ele me dava, era muito para mim, quase o pão do pobre, o suficiente para estar viva, desde que ele estivesse comigo.

Mas não era tudo mau, quando eu conseguia abstrair-me destas situações que me atrofiavam o cérebro, havia situações que superavam em tudo os pontos negativos que vivia, o problema é que esses pontos negativos eram sempre, e os positivos eram como rebuçados que se dão às crianças, só de vez em quando.

3Doors Down "Here Without You"