domingo, janeiro 25, 2004

Janeiro 2004 VII

Era a situação com o Miguel e com a Marina que ainda não tinha sido ultrapassada, a insistência do Ricardo e, para piorar tudo, no final de Janeiro as coisas começaram a correr mal no meu trabalho. Por causa da baixa de produtividade do pessoal, o meu chefe mudou-me de sala com um rapaz, e o pessoal dessa sala levou a mal o que o chefe fez, e como não podiam descarregar no chefe, descarregaram na moça nova, consequentemente, em mim. A partir daqui passei a fase mais difícil da minha vida, tenho noção que nunca até este momento a minha vida foi tão difícil. Sempre fui uma pessoa alegre, que me dei bem com todos, nunca fui conflituosa, definitivamente, não merecia que tivessem sido tão duros comigo, até porque eu não tinha feito mal nenhum. Começou a ser um castigo enorme ir trabalhar, era difícil entrar numa sala, com oito pessoas, que nem os bons dias me davam, passava oitos horas diárias com eles, e não me dirigiam a palavra, ia todos os dias a chorar para casa, a minha mãe dizia para sair de lá, e todos os dias que ia trabalhar pensava em pôr a carta de despedimento, mas depois pensava, eu sou melhor e vou mostrar que estão a errar comigo, a minha força de espírito era todos os dias abalada, e ainda assim eu não desistia.

sábado, janeiro 24, 2004

Janeiro 2004 VI

Uma semana depois de o conhecer, ele insistiu que me queria ir buscar a casa, fiquei parva isto não me estava a acontecer, tentei que ele desistisse da ideia, mas nada feito, ganhou-me pelo cansaço. E assim foi, toda esta insistência, porque ele dizia que tinha uma coisa para mim, pior ainda. Quando entrei no carro dele, comecei a falar normalmente, e quando chegámos ao café foi quando ele me lembrou que tinha uma coisa para mim, fiquei em choque, quando vi ele a pôr a mão no banco de trás do carro e a puxar um ramo de flores do campo, pelo menos teve a decência de não me dar rosas. Só me lembro de o ver a olhar para mim desesperado e a dizer: “Não gostas de receber flores!”, imagino a cara que eu fiz. Na realidade não gosto muito de receber flores, são efémeras, mas a minha expressão não era por isso, era de choque, espanto, surpresa, estupefacção. Eu conhecia o rapaz à uma semana, era uma situação ridícula, não sou nenhuma beldade para tal deslumbramento da parte dele. Nunca me tinha acontecido nada assim. Dentro deste género só me lembro de uma vez na faculdade um rapaz me dar um poema escrito por ele, mas até hoje não percebi a intenção, porque ele só me deu o poema. Agora de resto sempre passei à margem deste tipo de manifestações românticas, apesar de ser uma situação estúpida, cheguei, dias depois a perceber que me fez bem, afinal havia alguém que gostava de mim. Ainda que de uma forma doida, e eu não acreditasse muito no amor à primeira vista.

A insistência do Ricardo era quase insuportável e cheguei um ponto que não aguentava mais aquela situação, até o meu amigo que nos tinha apresentado, se sentia mal com a situação, não estava à espera que o Ricardo se comportasse assim. Eu estava mesmo à beira de um ataque de nervos.

Janeiro 2004 V

Este início de ano estava muito complicado, acabei por conhecer o Ricardo, o rapaz de quem me falaram no aniversário da Catarina, a Isabel quase que me obrigou a ir naquele fim-de-semana ao café, porque o rapaz tinha ido lá de propósito só para me conhecer, isto é de loucos, só comigo, tinha dito ao meu amigo, para o Ricardo aparecer por lá mas se fosse para conhecer o pessoal, não para me conhecer apenas a mim, estávamos a começar mal.

Tanto me chatearam que acabei por dar o meu número de telemóvel ao rapaz, neste momento, foi o maior erro da minha vida, a meio da semana a seguir a tê-lo conhecido, convidou-me para sair, não vi mal nenhum em sair com o rapaz e assim foi, mas arrependi-me depressa, percebi-me pela conversa dele, até porque não me deixou falar, o que é difícil, que ele não me queria conhecer, ele tinha era carência de ter uma namorada. E assim que percebi o que se estava a passar tentei afastar-me dele, mas o rapaz era muito persuasivo, e não desistia com facilidade. Desta vez o maior erro da vida dele, quanto mais ele queria estar perto de mim, mais eu me afastava dele.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Janeiro 2004 IV

Entretanto, comecei a trabalhar numa empresa de trabalho temporário e as pessoas pareceram-me simpáticas, a equipa era jovem e alegre, talvez agora as coisas começassem a correr bem para mim, já não era sem tempo.

terça-feira, janeiro 06, 2004

Janeiro 2004 III

Mas o insólito aconteceu logo no início do ano, o Miguel mesmo namorando com a Marina, continuou a mandar-me mensagens e toques, que não sei se eram telefonemas, porque deixei de lhe atender e responder. Podia ter sido má e, em pouco menos que nada, destruía este namoro, mas não valia a pena, e por isso fui ignorando esta atitude estúpida que ele estava a ter às escondidas da Marina. Até que ponto o Ser Humano pode ser cruel, eu só queria que me deixassem em paz, detesto confusões, não me meto nelas, mas há sempre alguém que me mete. Mas desta vez eu não ia cair. Não queria mais.

sexta-feira, janeiro 02, 2004

Janeiro 2004 II

Continuai a sair, mas além da vontade não ser muita, comecei a evitar sair com eles, e em alternativa arranjei saídas com outras pessoas, precisava de ir para ambientes menos falsos, ali havia um peso negativo no ar, que não me fazia bem. Comecei a sair mais vezes com a Isabel, que raptava do grupo e a Carla uma amiga que tinha feito quando trabalhei. Outras vezes saia com amigas da faculdade o que permitia que eu me afastasse do grupo e não ficasse em casa sem fazer nada, e sobretudo, me divertisse, porque estava a precisar. Sempre foi a forma que encontrei para afastar os momentos e pensamentos menos positivos, pois tenho uma enorme tendência para me isolar, e esta foi a forma que encontrei para não o fazer. Neste caso permitia-me a tudo menos a entrar em depressão, já tinha estado… e não queria voltar a esse estado. A experiência com o Zé chegou-me, para lição de vida, e neste caso nenhum dos dois, amigos que não foram amigos, mereciam.

quinta-feira, janeiro 01, 2004

Janeiro 2004

O tempo foi passando e eu afastei-me deles pois a magoa essa mantinha-se, e é possível que não passe, acho que não merecia a desconsideração deles, mas a atitude deles falou por si. Afastei-me também para não me acusassem de interferir na relação, caso alguma coisa desse para o torto. Pois tive consciência que se chegasse perto do Miguel por qualquer motivo, a Marina iria sentir ciúmes, afinal eu sempre tive presente antes do início do namoro, mas não queria representar mais esse papel… que fossem felizes e que conseguissem atingir tudo o que merecem, sem ironia era o que desejava, apesar de mágoa que tinha deles, nunca fui de desejar mal a alguém. Num momento de raiva até posso dizer os maiores impropérios, mas sempre foram da boca para fora, às vezes perco por isso. É o mais negativo da minha personalidade, aguento tudo para não explodir, mas quando expludo, não há volta a dar, sai tudo o que quero e o que não quero. O que é que eu posso fazer? Já não é defeito, é feitio.

3Doors Down "Here Without You"