terça-feira, março 23, 2004

Março 2004 IV

Apesar de a minha relação com a Marina e o Miguel já não ser a mesma, eu falava com eles superficialmente, nunca fui mal-educada. E quando me apercebi que a Marina não sabia que eu falava com o Miguel algumas vezes sem ser na presença dela, deixei isso bem claro. Até porque eu e o Miguel estávamos a combinar ter uma conversa para pôr os pontos nos i’s, e para que não fossem envenenar a miúda, eu própria lhe disse que essa conversa ia existir. Assim ela já tinha consciência que mesmo que falasse com ele, não queria me meter entre os dois. A verdade acima de tudo, sempre tinha sido o meu lema e não ia mudar agora.
Como eu não tinha problemas que me chegassem, ainda consegui arranjar outro, o segurança do meu trabalho começou a meter-se comigo… mas o que é que se passa com esta gente, eu tenho cara de ser saco de pancadas… já chega.

Nesta altura não tinha descanso, era o Ricardo por um lado, o Miguel a chatear-me por outro, e o segurança que não parava de me convidar para sair… desta maneira onde é que eu vou parar… vou entrar em colapso nervoso.
A conversa com o Miguel ficou combinada para o sábado seguinte e assim foi, mas a Marina nunca teria sabido desta conversa se eu não lhe tivesse dito. O Miguel não mudava, se quisesse ter uma relação verdadeira com a Marina não lhe podia esconder esta conversa. Quando soube que ele não lhe tinha contado fiquei chocada, ainda falei com a Isabel sobre isso, e o choque ela foi igualmente evidente. Quem quer que uma relação vá para a frente com tanta mentira. É pura ilusão conseguir.

A conversa verificou-se, e não foi nada do que eu estava à espera, disse-lhe muita coisa que estava engasgada na minha garganta, mas houve outra tanta, que ficou por dizer, porque a atitude dele mostrou que não valia a pena, tivemos mais de 2 horas de conversa, onde a tensão era evidente, mas deixei muito claro que a minha confiança é difícil de recuperar, e até hoje ressoa-me no ouvido quando ele disse que não ia desistir da minha amizade, mas não voltou a ser a mesma coisa. Falo bem com ele, mas já não há brincadeira para ninguém, e ele sabe que já não lhe admito muita confiança.

Mal ou bem este ficou despachado. Faltava o Ricardo e o segurança.

No final deste mês uma das raparigas que estava a criar mau ambiente no meu trabalho foi despedida, tinha levado um equipamento “emprestado” e já não era a primeira vez que o fazia.

quinta-feira, março 18, 2004

Março 2004 III

Ainda no mês de Março, o Miguel insistia porque insistia em se meter comigo, apesar de não lhe dar trela, era horrível a ousadia dele, a falsa preocupação. Se algum dia, ele se tivesse preocupado mesmo, tinha evitado meter-se com duas amigas, teria tido o cuidado de ser honesto com as duas e evitaria toda esta situação constrangedora, e as dores de cabeça que eventualmente isso lhe pudesse causar, se é que algum dia lhe doeu a consciência. Sempre que tinha uma oportunidade tentava falar comigo, mas eu não o permitia, nas condições que estava não conseguiria falar com ele, a revolta ainda era grande. É a diferença entre mim e as outras pessoas, eu sinto com muita intensidade as coisas, e sempre que me lembro de algo, volto a sentir a mesma coisa, e não apenas uma lembrança do que eu senti. E a conversa era sempre a mesma, não fiques chateada comigo, fala comigo… qual era o problema dele, já tinha escolhido, escolheu o mais fácil, então que viva com o que escolheu e deixe-me em paz.

Sou muito terra a terra e tenho noção disso, posso demorar a decidir, que é raro, mas quando decido não há volta a dar, é preciso que se esforcem muito a mostrar que vale a pena. E neste caso não vale, ele tinha sido leviano comigo, não há nada que supere isso.

quarta-feira, março 17, 2004

Março 2004 II

A Isabel chegou várias vezes a dizer porque é que não tentava, ele gostava de mim, podia dar certo… percebi que sou uma incompreendida, eu não consigo estar com uma pessoa senão gostar dela, é difícil de entender. Muitas vezes ouvi... "o amor pode vir depois, ele é uma boa pessoa, e gosta de ti, porque não lhe dás uma oportunidade a ele e a ti, para serem felizes". Não dava, eu não conseguia, e quando mais falavam nisso, e mais insistiam, mais me afastava. Cheguei um ponto que não conseguia sequer vê-lo, quanto mais estar ao pé dele, criei aversão ao rapaz, e ele nunca me fez mal. Se algum dia fui má e injusta com alguém, foi com este rapaz, eu mandei-o embora da minha vida como a um cão sarnento. Pus muitas vezes em causa o sentimento que ele tinha por mim, e agora quando vejo o global de toda a situação, apercebo-me que foi sem sombra de dúvidas das pessoas que mais gostou de mim.

Só que eu nunca iria conseguir estar com ele, a forma como ele gosta é sufocante, e eu não aguentaria. E tentar por tentar não dava, não estava a dar o devido valor ao sentimento dele, e isso ele também não merecia, se quero que respeitem os meus sentimentos também tenho de respeitar os dos outros, desde que não interfiram na minha vida. E isso foi o que não aconteceu, todos tinha uma palavra a dizer sobre o Ricardo, todos queriam que eu estivesse com o Ricardo, mas esqueceram de um pormenor muito importante, eu é que tinha de querer.

sábado, março 06, 2004

Março 2004

Já no início de Março, a doutora que está responsável pelo nosso departamento, veio ter uma reunião connosco, e não foi nada bonito o que nos disse, muito pelo contrário mostrou-se descontente com o que se estava a passar, havia muitos erros, e se continuasse assim, não tinha dó por ninguém, e cabeças iam rolar. Eu estava bem, que me mandassem embora, eu ir é que não ia. E a consequência disso, é que o ambiente passou de mal a pior.
A insistência do Ricardo continuava e eu estava prestes a entrar em paranóia, mas antes disso explodia, e ele corria o risco de ouvir o que queria e o que não queria, e o mais grave de tudo é que o pessoal de Lisboa achou que estava no direito de o incentivar. O que começou a piorar as coisas, o que ninguém percebia é que quanto mais teimassem nesta situação, mais eu via a minha vida ser invadida, e mais eu me fechava. E, consequentemente, mais eu me afastava do rapaz. Ele não é uma má pessoa, mas estava a fazer tudo errado, ou eu simplesmente não queria. Estava ainda magoada contudo o que se tinha passado nos últimos tempos comigo, e precisava de tempo para mim, para entender o que se estava a passar comigo.

3Doors Down "Here Without You"