Março 2004 IV
Apesar de a minha relação com a Marina e o Miguel já não ser a mesma, eu falava com eles superficialmente, nunca fui mal-educada. E quando me apercebi que a Marina não sabia que eu falava com o Miguel algumas vezes sem ser na presença dela, deixei isso bem claro. Até porque eu e o Miguel estávamos a combinar ter uma conversa para pôr os pontos nos i’s, e para que não fossem envenenar a miúda, eu própria lhe disse que essa conversa ia existir. Assim ela já tinha consciência que mesmo que falasse com ele, não queria me meter entre os dois. A verdade acima de tudo, sempre tinha sido o meu lema e não ia mudar agora.
Como eu não tinha problemas que me chegassem, ainda consegui arranjar outro, o segurança do meu trabalho começou a meter-se comigo… mas o que é que se passa com esta gente, eu tenho cara de ser saco de pancadas… já chega.
Nesta altura não tinha descanso, era o Ricardo por um lado, o Miguel a chatear-me por outro, e o segurança que não parava de me convidar para sair… desta maneira onde é que eu vou parar… vou entrar em colapso nervoso. A conversa com o Miguel ficou combinada para o sábado seguinte e assim foi, mas a Marina nunca teria sabido desta conversa se eu não lhe tivesse dito. O Miguel não mudava, se quisesse ter uma relação verdadeira com a Marina não lhe podia esconder esta conversa. Quando soube que ele não lhe tinha contado fiquei chocada, ainda falei com a Isabel sobre isso, e o choque ela foi igualmente evidente. Quem quer que uma relação vá para a frente com tanta mentira. É pura ilusão conseguir.
A conversa verificou-se, e não foi nada do que eu estava à espera, disse-lhe muita coisa que estava engasgada na minha garganta, mas houve outra tanta, que ficou por dizer, porque a atitude dele mostrou que não valia a pena, tivemos mais de 2 horas de conversa, onde a tensão era evidente, mas deixei muito claro que a minha confiança é difícil de recuperar, e até hoje ressoa-me no ouvido quando ele disse que não ia desistir da minha amizade, mas não voltou a ser a mesma coisa. Falo bem com ele, mas já não há brincadeira para ninguém, e ele sabe que já não lhe admito muita confiança.
Mal ou bem este ficou despachado. Faltava o Ricardo e o segurança.
No final deste mês uma das raparigas que estava a criar mau ambiente no meu trabalho foi despedida, tinha levado um equipamento “emprestado” e já não era a primeira vez que o fazia.

A insistência do Ricardo continuava e eu estava prestes a entrar em paranóia, mas antes disso explodia, e ele corria o risco de ouvir o que queria e o que não queria, e o mais grave de tudo é que o pessoal de Lisboa achou que estava no direito de o incentivar. O que começou a piorar as coisas, o que ninguém percebia é que quanto mais teimassem nesta situação, mais eu via a minha vida ser invadida, e mais eu me fechava. E, consequentemente, mais eu me afastava do rapaz. Ele não é uma má pessoa, mas estava a fazer tudo errado, ou eu simplesmente não queria. Estava ainda magoada contudo o que se tinha passado nos últimos tempos comigo, e precisava de tempo para mim, para entender o que se estava a passar comigo. 
