terça-feira, setembro 15, 1998

Setembro 1998

Mas este ano foi diferente, como tinha acabado o secundário, depois da visita anual à terra comecei a trabalhar. E, como era duro aquilo que eu fazia, passava o dia a atender clientes, e como eram chatos alguns dos clientes.

Além do trabalho, ao contrário do que estava à espera, consegui entrar na faculdade e o tempo que já não era muito, tornou-se menor... as saídas com o pessoal foram cortadas, porque a universidade exigia muito de mim. Tanto que cheguei a pensar em desistir não pelo esforço que me exigia, mas porque não gostei de nada, dos professores, dos colegas, da universidade... em resumo, para mim tudo aquilo era cinzento, as pessoas não se preocupavam umas com as outras, o ambiente era tão impessoal, que o que me apetecia era voltar para o meu bairro e fugir de Lisboa que era um completo caos para mim.

Ter ido estudar para Lisboa fez com que todos os meus alicerces mais seguros fossem abalados, aquilo em que eu mais acreditava na vida, as pessoas, deixou de existir... porque tive contacto com um mundo onde as pessoas deixam de o ser para serem números, foi sem sombras de dúvidas a maior experiência de vida que pude ter, porque pude escolher exactamente a aquilo que não quero ser, um número.

Respeito a minha coerência, e os meus sentimentos desde sempre, e nunca deixei que nada, nem ninguém, destruir aquilo que eu tenho de mais bonito, o respeito por mim mesma... abalar já abalaram, mas não destruíram. Mas para colmatar, o Luís surpreendeu-me este ano. Um dia quando vinha cansada do trabalho, tinha uma surpresa à minha espera, uma carta. Fiquei contente, sobretudo, porque não estava à espera e claro que respondi... e como devem calcular a nossa correspondência não parou por aqui. Ainda hoje tenho as cartas, e quando as reli, foi como se tivesse voltado a trás no tempo e revivido tudo novamente.

3Doors Down "Here Without You"