sexta-feira, dezembro 31, 2004

Dezembro 2004 XI

Esta situação passou, como muitas outras e a vida contínua, com o Natal ele foi para a terra e ficou lá até depois do Ano Novo, nessa semana eu estava determinada a fazer as malas e fazer-lhe uma surpresa e verificar se ele ia mesmo fingir que não tinha nada comigo, o problema foi que dois dias antes do final do ano apanhei uma alergia e não tive como ir para Vila de Rei, porque a minha boca estava toda arrebentada por causa das aftas, não era normal o que me estava a acontecer… acabei por ficar cá e passar a passagem de ano na garagem do Miguel como nos outros anos, mas a vontade de lá estar era pouca, antes da meia-noite o Rui ainda me telefonou, foi um querido, estava preocupado comigo e eu com uma vontade enorme de ir ter com ele, se não fosse a alergia, acho que tinha agarrado no meu carro e tinha ido ter com ele. Claro que ele nunca soube disto, claro que lhe disse que queria estar com ele, mas não lhe disse o que me estava a passar na cabeça. É pena é ele não ter tido a mesma ideia. Mas apesar do carinho as coisas tinham mudado muito desde que iniciamos este “não sei o quê”.

domingo, dezembro 26, 2004

Dezembro 2004 X



Encontrámo-nos ao pé do Bowling, cumprimentámo-nos como dois amigos, como sempre fazíamos, mas ainda assim tentei uma vez que íamos jantar juntos, segurar-lhe na mão, foi a maior estupidez que fiz na vida, ele recusou, não faz sentido nenhum. O que é que eu estava a fazer com ele!? Onde é que estava o meu orgulho? Onde é que estava a pessoa que eu sou para aceitar isto, aquela pessoa que se revolta com a injustiça, onde é que eu estou? Ainda assim não desisti, tentei mais uma vez quase desesperada que ele me segurasse a mão, mas ele estava irredutível. Eu tinha a cabeça a mil, até hoje não sei o que me manteve ali. Fiquei apática eu não acreditei no que se estava a passar, estava umas pessoas a trás de nós que deviam pensar que estávamos malucos. Se ele tivesse segurado a minha mão nem que fosse por dois segundos, naquele momento tinham sido os segundos mais importantes da minha vida. Ele arrebentou com o meu dia, que já não tinha sido muito bom no trabalho. Fomos jantar, como era de se esperar não correu muito bem depois de uma cena destas, mas para piorar a situação, ele embirrou comigo pelo simples facto de me ter rido. Embirrou que eu estava a rir para uma pessoa que conhecia, e eu apenas me tinha rido porque estávamos com o tabuleiro de comida na mão e não tínhamos mesa disponível, era uma situação no mínimo cómica, naquela altura para mim, hoje quando escrevo também não percebo porque é que me ri, mas achei piada na altura, ou simplesmente tivesse nervosa e foi a maneira que arranjei para eliminar a raiva que sentia… mas não era preciso a reacção que ele teve, até mesmo se eu me tivesse rido para alguém que conhecesse, mas se assim fosse não tinha motivos para lhe mentir, até agora só tinha mentido por causa dele, nunca a ele. Nem ele tinha motivos para achar que lhe estava a mentir. É ridículo, um dia para esquecer. Eu só queria acabar aquele jantar e sair dali. Já tinha dado o que tinha a dar. Depois do jantar ainda estivemos um pouco juntos, voltámos a falar do facto de eu me ter rido, definitivamente ele não acreditou em mim, paciência, ele é que sabia no que queria acreditar. Quando ia para me ir embora, um pouco desanimada, ele deu-me um presente de Natal, e eu fui ao meu carro buscar o meu e dei-lhe. O presente dele não vinha embrulhado, era um livro “Rumo à Felicidade” de Justine Picardie pedi-lhe para assinar o livro e simplesmente escreveu “Com muito carinho te ofereço este livro. Espero que gostes. Rui”. Curioso, não é!? Mas não foi o suficiente para eliminar a minha tristeza de tudo o que tinha vivido nesse dia. Eu gosto imenso dele só que não sei o que se está a passar connosco e as dúvidas que tive no início começaram a surgir novamente mas de forma diferente, parece que já não dou tanta importância, é como se estivesse anestesiada. Acho que já sofri tanto, que parece que estou a assistir ao que se está a passar-se comigo, e não a vive-lo… Tenho tanto medo que o que sinto por ele esteja a diminuir, mas depois de tudo o que aconteceu, qualquer sentimento seria minado, e é o que eu sinto em relação ao meu sentimento por ele, está de tal modo minado, que basta um pequeno toque que será todo destruído em explosões. Mas na realidade eu não queria que nada disso acontecesse. Afinal quando estou com ele, sei que ele é o meu mundo, o problema é quando não estou, penso muito nele mas parece que já não é tão intenso.

sábado, dezembro 25, 2004

Dezembro 2004 IX

Com o final do ano a aproximar-se a passos largos e com ele as festas, eu já sabia que o Rui ia passar as festas à terra, e não sabia o que lhe havia de dar pelo Natal, até ao último dia em que tive com ele antes do Natal andava maluca à procura de alguma coisa que fosse simples mas engraçada ao mesmo tempo, uma amiga sugeriu-me que lhe desse uma fotografia minha… depois de ter procurado que nem louca alguma coisa que achasse gira rendi-me e acabei por comprar uma moldura para pôr uma fotografia minha, mas tinha um problema queria que fosse uma moldura simples e pequena para ele pôr no cacifo do trabalho, porque eu já sabia que ele nunca iria mostrar aquela fotografia… depois de ter andado um dia inteiro à procura de uma moldura com estas condições, e ainda assim tive que fazer algumas alterações à moldura, pois a moldura tinha um laço azul, quando a mim nada a ver com ele… após resolver este problema, arranjei outro, dei voltas às minhas fotografias e não encontrava nada digno da ocasião, está bem que eu não sou nenhuma estrela de cinema, mas eu sabia que conseguia ficar melhor. Agarrei sem autorização na máquina digital do meu irmão e entrei numa auto secção de fotografias, e tive uma tarde naquilo, e a muito custo lá encontrei a fotografia que lhe ia dar… pode não ter sido nada de extraordinário, mas foi feito com tanto carinho passei uma semana a pensar o que lhe ia dar e depois de encontrar o presente estive mais de um dia para o concretizar, mas estava contente ia-lhe dar alguma coisa que era feita com o meu esforço, e com muito carinho. Chegou o dia de lhe dar o presente. Combinámos um jantar, mais uma vez no Vasco da Gama.

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Dezembro 2004 VIII

Estávamos a chegar ao fim do ano, e eu até tinha pensado em ir passar este ano a passagem à terra, era a minha surpresa. Mas depois do que ele disse estava fora de questão, não me ia sujeitar a uma situação tão mesquinha, por ele já tinha feito coisas que iam contra a minha maneira de ser. Quanto a mim loucuras que não faria por mais ninguém, e sem risco de mentir não sei porque fiz por ele, afinal depois de tudo o que vivi nada justifica, porque não valeu a pena.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Dezembro 2004 VII

Houve uma situação, a meio de Dezembro, em que ele me tinha dito que ia a um jantar, a aproveitei e marquei para o mesmo dia um jantar com as minhas colegas de faculdade, já não as via há imenso tempo, e adoro estar com elas… tinha sido ele a dizer que ia a esse jantar, quando chegou o dia deu a entender que queria estar comigo, e não ir a esse jantar… as coisas também não podiam ser assim, provavelmente as minha amigas tinham deixado de fazer um conjunto de coisas para vir jantar comigo, para por isso em causa por causa de uma relação que não tinha pés nem cabeça. Se pudesse ver as minhas colegas e amigas da faculdade com facilidade, talvez tivesse desmarcado o jantar… mas não era bem assim, elas moram longe, e já tínhamos demorado tanto tempo a marcar este jantar que não tive coragem de desmarcar, não é que não quisesse estar com ele, mas é uma questão de respeito e responsabilidade, já não era criança nenhuma para estar a fazer loucuras umas a trás das outras.
Mas quando ele fazia estas coisas chegava a pôr em causa, se não era apenas para me testar, não estava a ver ele a deixar de ir a um jantar marcado para estar comigo, eu própria não acreditava nisso, não o considero uma pessoa irresponsável a esse ponto… Afinal, era a mesma pessoa que me perguntava quando é que eu ia à terra, e quando ele via o brilho dos meus olhos, em tom de brincadeira dizia, “… mas age como se não me visses à muito tempo, pergunta-me: O que tens feito?” eu estava no meu limite, e ele estava a diminuir o meu sentimento por ele. Era uma decepção a trás de outra, ele chegava a ser desumano com este género de brincadeiras. Que eu não via como brincadeiras, ele dizia exactamente o que queria dizer, disso eu não tenho dúvidas. Para que ele não visse que me magoava com estas brincadeiras alinhava a brincar com ele, com o coração partido em mil bocadinhos, e tentando agarrar cada um deles para não desanimar de todo. Não partilhava com ele estas dúvidas, ou certezas, porque não existia relação nenhuma entre nós. Já não existia… era apenas eu a acreditar que sim.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Dezembro 2004 VI

Os meus desencontros com o Rui eram mais que muitos, eu tinha de me guiar pelos dias em que ele estava disponível, porque a profissão dele assim o exigia, e como ele tinha uma profissão com uns horários muito inconstantes, nunca podíamos combinar nada a longo prazo era tudo feito em cima do joelho, e eu tinha que alterar toda a minha vida para estar com ele, claro que isso ele não sabia, já tínhamos problemas de mais, para acrescentar mais um, mas nem sempre dava para alterar os planos que eu fazia sem ele, porque os meus amigos também têm as suas vidas, e eu tinha de me desdobrar-me 2 ou três pessoas, houve vezes que em 6 ou 7, nesta altura teria gostado que os meus dias tivesses 48 horas, para poder fazer tudo o que tinha e queria fazer… isto tudo, porque a minha relação com ele era um segredo, se fosse uma relação clara, eu nunca teria de passar por um conjunto de situações quanto a mim deploráveis.

terça-feira, dezembro 21, 2004

Dezembro 2004 V

O Ricardo mesmo sabendo da existência do Rui, porque cheguei a um ponto que explodi, e tive de lhe contar que estava com o Rui, ele continuava a convidar-me a sair, beber café… e tentava me convencer que não havia maldade porque éramos amigos, mas eu sabia que não era bem assim, ele ainda não tinha desistido, mas eu já me tinha afastado dele tantas vezes que houve um dia em que aceitei beber café com ele no Vasco da Gama, mas a conversa dele incidiu sobre a relação do Miguel e da Marina, que estava a correr mal, como se eu quisesse saber alguma coisa sobre isso. De certeza que alguém lhe tinha contado sobre o sucedido e ele achou-se no direito de vir me contar para saber se isso me magoava… mas estava enganado, essa fase tinha sido definitivamente afastada da minha vida, e muito por causa do sentimento que tinha desde sempre pelo Rui.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Dezembro 2004 IV

Hoje tenho a certeza que sem ele teria sido bem mais difícil, apesar de tudo ele era aspecto positivo, neste momento, na minha vida. Nesta altura sentia que estávamos mais ligados um ao outro, mas tinha medo de estar errada, e que esta relação não tivesse futuro. Ou que só eu é que estivesse a ficar ligada a ele, e ele nem por isso… era o meu maior medo.

domingo, dezembro 19, 2004

Dezembro 2004 III

Os dias seguintes foram muito difíceis, tornou-se novamente um castigo para mim ir trabalhar. A injustiça que tinha sido praticada comigo era difícil de digerir… mas eu estava lá para mostrar que era melhor, para mostrar que não ia desistir, e que iam ver a minha cara até ao último dia, e que apesar de não terem sido profissionais comigo, eu iria ser até ao fim, por mais que isso me corroesse as entranhas. Nem aqui iriam ter um dedo para me apontar.

Só alguns dias depois, já eu tinha chorado bastante, quando voltei a estar com o Rui, mas ainda assim foi doloroso contar-lhe o que se passou, continuava atordoada com os acontecimentos. Mas ao mesmo tempo estas coisas negativas que nos iam acontecendo pareciam que nos aproximava ainda mais, como se o apoio de um ao outro fosse importante, e era.

sábado, dezembro 18, 2004

Dezembro 2004 II

Dias depois o meu mundo desabou, o meu chefe chamou-me à parte, o meu contrato estava a chegar ao fim, e eu sabia que a conversa tratava-se do meu contrato, se ia ser renovado ou não. O meu chefe disse que não me iam renovar o contrato, mas claro que não foi isto que destruiu o meu dia, foi quando ele disse, que eu ia ser despedida porque alguém não gostava de mim, como se eu tivesse algum dia sido mal-educada com alguém, ou não tivesse sido profissional… era um verdadeiro pontapé no meu estômago. Eu fiquei chocada, nunca na vida pensei passar por isto. Eu já tinha iniciado mal o meu trabalho ali, quando não fui bem recebida pelos meus colegas, e ainda assim não me revoltei e consegui construir com os colegas que foram ficando um ambiente familiar quase invejável, nunca fui líder em lado nenhum, mas sei que ali fui quase uma mãe para todos eles, eles respeitavam-me pelo que era e pelo que fazia, nunca em lado nenhum alguém tinha um dedo que fosse de alguma coisa para me apontar. Sei que sou muito rígida com as atitudes e comportamentos das pessoas, e não desculpo nem esqueço com facilidade o que me fazem, mas ainda assim não sou tão rígida com os outros como sou comigo… e por isso não entendia o que se estava a passar, como é que uma pessoa que eu devo ter falado no máximo meia dúzia de vezes podia ter alguma coisa contra mim, não fazia sentido nenhum. Que ameaça eu podia representar para aquela pessoa – que neste momento representa a pessoa mais mesquinha que conheci na minha vida. Nunca representei nenhum perigo para ela e como é que uma pessoa com poder se dispõe a eliminar assim uma pessoa que não representa nenhum perigo, para isso eu teria de me sujeitar ao que essa pessoa se sujeitou, e lamento nunca descia tão baixo, para subir depressa. A minha dignidade acima de tudo, pelo menos isso ninguém me tira – poder andar de cabeça erguida. – Podre, sem trabalho mas com dignidade.
Quando sai da conversa com o meu chefe, todos repararam que eu não estava bem, que tinha olhos de choro, e como tinha chorado indignada com o que me tinha acontecido. Entretanto, fomos todos almoçar, mas logo após o almoço o meu chefe perguntou-me se eu lhe dava autorização para falar sobre o que me tinha acontecido, eu falar sobre o assunto não falava, nem o conseguia fazer sem chorar, mas dei a ele a liberdade de o fazer. Foi uma situação penosa, mas ao mesmo tempo satisfatória, mas não deixava de ser um contraste chocante. Os meus colegas ficaram tão indignados como eu e o meu chefe, não entendiam o porquê desta injusta, eu também não. Mesmo que infrutífero, ver o apoio e a indignação deles foi muito importante para mim.
Afinal não era só ilusão minha, aquela era a minha segunda família. No dia a seguir lá estava eu, para mais um dia de trabalho, com o mesmo rigor de sempre… e ia manter esta postura até ao último dia do contrato.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Dezembro 2004

No primeiro de Dezembro vivemos uma aventura no Parque nas Nações, queríamos dar uma volta, mas o céu estava cada vez mais cinzento, e não desistimos do nosso passeio até que começou a chover, tivemos de correr até ao carro, ficámos molhados até ao pelo, a água caía a cântaros, mas mesmo correndo o risco de ficarmos doentes, a roupa secou-nos no corpo, tudo para ficarmos juntos, rimos imenso, gozámos um com o outro, foi engraçado… precisávamos tanto de mais momentos assim, sem fantasmas, sem dúvidas, sem cobranças, mas quando a realidade batia à porta… o sonho deixava de o ser. Este dia não era o dia de sorte do Rui, ele tinha se chateado com uns colegas, nunca o tinha visto chateado, foi estranho, mas mesmo assim tenho que admitir que ele não se chateou comigo, nem descarregou em mim, nisso ele é muito controlado, o que me assusta um pouco, vai-se lá saber como é que ele é descontrolado. Falámos sobre isso, e sobre várias outras coisas, estava a começar a acreditar que vamos dar certo. Ainda fiz uma brincadeira com ele a dar a entender que ele me podia perder, e ele ficou chocado a olhar para mim, e ali acreditei, mais do que quando ele diz, que gostava de mim. Entrou em pânico, mas eu tinha de entender o que estava a viver com ele, qual o futuro desta relação, como ele não o dizia, eu tinha de o pôr à prova. Eu tinha de saber se era importante ou não, se não fosse desistia enquanto ainda era tempo de desistir… se é que já não era tarde.

Mas nesta altura tenho a noção que estávamos a tentar…

3Doors Down "Here Without You"