domingo, julho 31, 2005

Julho 2005 V

A semana passou e o casamento do meu primo aproximasse a passos largos. Os meus pais foram antes e eu embirrei que só ia no próprio dia de manhã, a desculpa era de ir à cabeleireira, calor que não precisava nada disso.

E assim foi no sábado de manhã fui à cabeleireira e depois segui viagem para a terra assim que cheguei, vesti-me e quando estava pronta a primeira pessoa que me viu foi o Filipe, o amigo do meu irmão, que não conteve a admiração de me ver bonita, admito nesse dia estava engraçada. Assim que fiquei pronta fui para casa do meu primo ter com os restantes convidados. Estava com receio de ver o Rui e assim que vi o irmão dele, o Luís, o meu coração caiu, mas depressa recuperou quando vi que vinha sozinho, senti um alívio pois se ele não a parecia era porque não vinha ao casamento.

quarta-feira, julho 27, 2005

Julho 2005 IV

A canoagem foi super fixe, e depois eu e uma amiga, a Paula, fomos dormir a minha casa em Vila de Rei no fim-de-semana em que foi a despedida de solteiro do meu primo, e o meu irmão e o Filipe que tinham ido à despedida estavam à nossa espera porque quem tinha os lençóis para poderem dormir era eu, e estiveram à nossa espera até às cinco da manhã, já estavam a pensar que nós não íamos ter com eles, e lá aparecemos nós.

A casa do meu primo aquela hora ainda estava cheia de gente, e segundo o meu irmão todos o que lá estavam ficaram a olhar para quem é que estava a chegar quando viram as luzes do carro, o meu irmão até se irritou com isso.

No dia a seguir, eu, o meu irmão, a Paula e o Filipe almoçámos juntos foi divertido, tivemos uma conversa amena e claro está o Filipe sempre com o seu chame a meter-se comigo, sempre gostei muito dele, só nunca me deixei levar pelas suas investidas porque nunca acreditei nas boas intenções dele, até porque ele admitia que estava cheio era de más intenções… comigo sempre foi honesto e só a ele é que permitia este tipo de brincadeiras, claro está que ele nunca o soube, mas mesmo com as brincadeiras dele, eu sempre soube que podia confiar nele, é um bom amigo. Nunca levei muito a sério quando ele se metia comigo, sempre achei que era brincadeira por ser a irmã do amigo dele.

Eu e a Paula aproveitámos para dar uma volta por Vila de Rei e ela ficou a conhecer um pouco a zona, para poder voltar depois, e depois rumo a Lisboa.

terça-feira, julho 26, 2005

Julho 2005 III

Mas como sempre o conflito que tive, não deixei transparecer, ninguém tinha percebido o motivo pelo qual eu tinha desistido, mas eu também não quis dar nenhuma explicação, afinal de contas era a minha vida, e ainda era eu que decidia sobre ela, e com o apoio da minha família eu não precisava de mais nada. Tenho que admitir que melhor mãe eu não podia ter, os motivos que lhe tinha apresentado não eram suficientes para as reacções que eu tinha e tenho consciência que ela sabia disse, mas ela respeitou o facto de eu não querer falar, a única coisa que ela conseguia ver é que eu não estava bem e que só o carinho dela me ajudava muito. Só tenho que agradecer a mulher que é a minha mãe. As pessoas que me conhecem um bocadinho sabem que não sou muito de falar de problemas e por isso mesmo pareço estar sempre bem com a vida, divertida e mesmo todos conscientes que a minha vida não está bem eu tenho sempre um sorriso nos lábios. Para mim, apenas basta eu saber que não estou bem, não é necessário que os outros assistam às minhas quedas constantes. E ultimamente não eram quedas constantes, estava a cair em contínuo, era como se nunca mais tivesse fim… e com isso ia a minha alegria, jovialidade e força de espírito. E como já não conseguia esconder as minhas constantes mudanças de humor, optei por me afastar do pessoal, e isolei-me. Até que tive um rasgo de lucidez e percebi que tinha de sair do marasmo em que tinha transformado a minha vida. E organizei com o pessoal de Lisboa uma canoagem nocturna no final de Julho, curiosamente uma semana antes do casamento do meu primo Rafael, do qual eu tinha um medo enorme, afinal ele certamente ia ser convidado e eu não estava preparada para o ver.

segunda-feira, julho 11, 2005

Julho 2005 II

Um dia de manhã, assim que chego ao trabalho, telefono à minha mãe lavada em lágrimas, e disse-lhe que ia desistir, ela nunca me tinha sentido tão em baixo, e apenas me disse: “Não vale a pena chorar minha filha, se não quiseres estar aí vem embora.” Era só o que eu precisava ouvir. Não foi uma decisão que tomei de ânimo leve, já vinha a pensar nisso há muito tempo, mas eu queria mostrar a mim mesma que ia conseguir, e custou-me imenso ter de admitir que não, não estava emocionalmente preparada para começar tudo novamente e precisava de parar, e parei.

Com a decisão que tinha tomado, sai de lá com o coração mais leve, e sabia que não me ia arrepender da decisão que tinha tomado, porque se continuasse lá, eu ia-me prejudicar muito mais, ainda assim sai de lá com a cabeça erguida e com a consciência que tinha desempenhado bem a minha função, porque apesar de tudo me empenhei bastante na realização das minhas tarefas, e tenho a certeza que ninguém pensou que eu era irresponsável, algumas pessoas aperceberam-se que eu não estava bem e respeitaram o facto de eu me quer ir embora antes que fizesse alguma asneira. E eu agradeço a eles por isso. Se calhar daqui a algum tempo vou me rir desta situação, talvez porque nenhum destes motivos fosse suficientemente grande para eu pôr em causa a minha carreira profissional, que foi o que na realidade eu fiz. Mas vou ter sempre a consciência de que tomei a atitude certa na altura certa, eu estava muito perto de um esgotamento e precisava de me reencontrar, e completamente envolta em instabilidade eu não ia conseguir e sabia que estava muito perto do meu limite. Desistir era a única coisa que tinha a fazer neste momento. As minhas perspectivas não eram boas tomasse eu a decisão que tomasse, mas aquela que ainda me permitia ver uma luz no final do túnel, foi a que tomei.

Os dados estavam lançados.

sexta-feira, julho 08, 2005

Julho 2005

No início de Julho as tarefas que tinha no trabalho foram alteradas, e eu não estava preparada para mais alterações na minha vida e voltei a ir a baixo, estava a fazer um esforço sobre-humano para não entrar em depressão, quando comecei a chorar em todos os sítios que estava, já não aguentava mais. Sem motivos aparentes eu desaparecia do meu local de trabalho trancava-me na casa de banho e chorava, chorava, chorava… não podia continuar assim. Quando chegava a casa, fechada no meu quarto lamentava-me pela tristeza em que tinha transformado a minha vida.
Em todas as pessoas em que eu tentei encontrar apoio apenas me diziam não desistas, tu consegues, vais ver que consegues… que não é tão difícil como parece, até podia ser verdade. Mas eu não estava a aguentar, podem achar que eu fui fraca que desisti à primeira dificuldade. Mas a realidade é que estava a ser muito difícil, mais do que nunca eu precisava do apoio de todos, tomasse eu a decisão que tomasse, eu não precisava que me criticassem.

Lembro-me como se fosse hoje, lutei contra todos os sentimentos que tinha, para parecer que estava bem, em casa ninguém tinha dado conta que eu não andava bem, é certo que a minha mãe via que eu andar mais quieta, irritava-me com maior facilidade, mas achava que era o trabalho afinal já lhe tinha dito que não estava a gostar do que estava a fazer, mas ainda assim por teimosa ia ficando para mostrar que conseguia. O problema foi quando me mudaram as tarefas, eu já não gostava do que estava a fazer, o meu estado de espírito e psicológico não estava bem, continuava a chorar pelos cantos por causa da injustiça que estava a sentir por causa do Rui, eu que na minha vida toda respeitei as pessoas por aquilo que eram, nunca pus em causa a cor da pele, as crenças, o estatuto social. Nunca tinha sido preconceituosa com ninguém e estava a sentir na pele o preconceito de ter nascido em Lisboa, quando nunca tive vergonha disso. Todas estas pequenas coisas tornaram-se numa avalanche de sentimentos negativos, até que não aguentei mais, e voltei a desistir.

3Doors Down "Here Without You"