segunda-feira, outubro 27, 2003

Outubro 2003 III

Apesar de tudo mantive intacta a minha relação com a Marina, e continuava a partilhar com ela o que se estava passa com o Miguel, e como ela não dizia nada comecei a entender o seu silêncio como se ele me tivesse escolhido a mim, mas ainda assim havia algo em mim que não permitia confiar na situação como ela se me mostrava. Apesar de manter intacto o meu comportamento com ela, fui apercebendo-me que ela estava diferente comigo, e não entendia porquê.
Nesta altura eu e a Marina, estávamos sempre juntas, tínhamos longas conversas, muitas delas sobre o Miguel, durante a semana muitas vezes íamos até ao parque andar um pouco, correr até quando havia disposição, tinha uma relação muito fixe com esta miúda, riamo-nos imenso, quem nos visse pensava que éramos doidas, estávamos sempre a rir, o que tornava uma amizade bonita, e que permitia ter uma cumplicidade quase que invejável.
Enquanto a minha relação com a Marina mal ou bem ia prosseguindo, a minha relação com o Miguel mantinha-se em sobressaltos, continuava a pôr em causa as atitudes dele, e a empurrar ainda que involuntariamente ele para a Marina, mas em troca percebia que ele não me queria deixar em paz, o que me provocava muitas confusões e contradições… mas com o passar do tempo toda esta situação foi impedido que eu confiasse nele. A confiança é a base de qualquer relacionamento, o que dificultava ainda mais as coisas. Eu entendia toda esta situação como imprudente da parte dele, ele nunca se questionou sobre as amizades que estava a pôr em xeque, mas com o passar deste mês a atitude dele para comigo foi mudando. Fui me apercebendo que a atitude da Marina era muito negativa em relação a ele, chegava a chama-lo de chato e irresponsável, e toda esta atitude dela, juntamente com o facto de ele estar mais apegado a mim, foi-me amolecendo o que permitiu que me tornasse frágil perante o que a vinha.
Houve alturas em que quis ultrapassar toda esta situação, de forma a não fazer parte deste trio amoroso que já estava a dar cabo das minhas forças. Não sei, nem nunca soube lidar com situações dúbias, sempre fui demasiado honesta com os meus sentimentos e amigos para permitir-me meter numa situação destas, nem sei muito bem como isto me foi acontecer, acredito que tenha a minha cota parte de culpa, mas responsabilizo muito mais eles os dois. Eu fui burra em me deixar levar por esta situação, e deixar que a situação em si fosse longe de mais, no entanto, admito que nisto tudo não fui a pior pessoa. Sabia que me tinha de afastar e não o fiz, muito por causa da atitude dele que era indecifrável. Das coisas que aconteciam e que contava às minhas amigas, elas em vez de me desincentivarem, incentivavam-me a acreditar que ele estava interessado em mim, mas eu continuava com as minhas dúvidas, mas tudo isto baralhava-me ainda mais, o que fazer? Não sabia, e por isso ia deixando que as coisas corressem. A única coisa que me foi protegendo, foi a minha personalidade desconfiada, que sempre dificultava a aproximação do Miguel.

segunda-feira, outubro 20, 2003

Outubro 2003 II

(...)

quarta-feira, outubro 15, 2003

Outubro 2003

Já no mês de Outubro descobri que a decepção com o Miguel estava próxima de acontecer. Por acaso, eu e uma amiga minha, a Marina, descobrimos que ele estava a dar a mesma cantiga do bandido às duas, foi lindo, a partir daqui quis ver até onde ele ia, mas o problema é que eu estava a enterrar-me cada vez mais, mas ainda assim dei a minha cara a tapa. Ele não podia ir muito longe, nós os três fazíamos parte do mesmo grupo de amigos, e ele não podia levar esta situação dúbia muito mais longe. Mas nesta situação, fui empurrando ele para ela, para me proteger do que eventualmente estava prestes a acontecer, e o problema é que quando ele me sentia a afastar arranjava maneira de se aproximar de mim, e isso confundia-me ainda mais, fui deixando de perceber o que se estava a passar, pois a minha amiga foi deixando de contar o que se passava entre eles, o que me levou a entender que ele pudesse ter estado confuso, e que não tinha má intenção. Sou mesmo ingénua, só agora é que o percebi, sempre a acreditar nas boas intenções das pessoas, mas onde é que estão essas boas intenções? Pois, não sei.
No momento em que a Marina deixou-me de falar dele, ele começou a estar mais presente na minha vida, e era estranho, não sabia se havia acreditar ou não no que se estava a acontecer, sem saber o que fazer partilhei este dilema com duas amigas minha, a Isabel e a Marília, e elas foram unânimes nas suas opiniões não tinha nada a perder se tentasse. Segundo elas, eu já estava há muito tempo sem ninguém, estava na altura de ter um romance na minha vida, e preocupar-me menos com os estudos e com o trabalho, porque a vida não é só isso. Mas ainda assim eu estava desconfiada, havia algo em mim que me dizia para ficar com pé atrás, e eu fui deixando as coisas acontecendo, sem as precipitar, mas esqueci-me de uma coisa muito importante, de guardar energias se algo corresse mal, mas tudo indicava que dali podia sair algo bonito, a nossa cumplicidade mantinha-se intacta, apesar de todos os percalços que já se tinham passado, mas no entanto, algo já tinha mudado.

3Doors Down "Here Without You"