quarta-feira, dezembro 31, 2003

Dezembro 2003 X

É verdade que não me diverti nada, mas noutro qualquer sítio também não me ia divertir, e ali estava com o pessoal e mal ou bem não precisava de estar ao pé deles os dois.

sexta-feira, dezembro 26, 2003

Dezembro 2003 IX

Já em Lisboa com o pessoal, voltámos às reuniões que acontecessem sempre por esta altura, a preparação para a passagem de ano, que este ano ia ser na mesma garagem do ano passado, e por consequência em casa do Miguel, até ao último segundo pensei em não ir, mas fui. Até porque ele teve bastantes oportunidades para me dizer alguma coisa caso ele não quisesse que eu fosse. Por exemplo, quando fomos fazer as compras para a passagem de ano, ele veio no meu carro, era uma oportunidade.

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Dezembro 2003 VIII

(...)

quarta-feira, dezembro 24, 2003

Dezembro 2003 VII

Desde Outubro que estava a mandar curriculuns para empresas, e as entrevistas a que ia não resultavam em nada, a nível profissional, as coisas também não estavam a correr, este final de ano não estava muito motivador, e a minha auto-estima estava muito em baixo.

terça-feira, dezembro 23, 2003

Dezembro 2003 VI

Ainda nesta altura para complicar, um bocadinho mais as coisas, o Luís irmão do Rui telefona-me com uma voz desesperada, que queria falar comigo, já não andava bem, quando recebi este telefonema só pensei, “Era só o que me faltava!”.
A minha vida já está de pernas para o ar, e ele ainda ia ajudar a complicar um bocadinho mais. Mas o desespero dele deixou-me preocupada, e não tive maneira de lhe dizer que não ia, meio de surra sai de casa e encontrei-me com ele na rotunda lá perto, parámos mais em baixo no estacionamento perto da igreja e ai ele desabafou. Eu estava com uma tensão tal, que no início nem estava a perceber o que ele estava a dizer, quando percebi o problema dele senti alívio, e o peso de anos estava agora a sair-me das costas… ele procurou-me porque estava a ter um problema com a namorada, e não sabia como o resolver, tenho de admitir que na altura não o pode ajudar muito, afinal também não andava bem. Mas senti que lhe fez bem o simples facto de ter desabafado.
E quando ia a caminho de casa com um sorriso nos lábios ainda que inconscientemente pensei no Rui e no telefonema que no mês passado tinha recebido dele, por causa de um engano, e pensei que se fosse noutra altura, iria lutar por ele. Mas já me tinha apercebido que era uma ilusão da adolescência, não havia maneira de fazer vingar esta hipotética relação. Até ao dia em que estou a escrever guardei segredo deste encontro, porque o Luís assim me pediu, mas além de não haver maldade neste encontro, se quando temos problemas não falarmos com os amigos, para que é que eles servem. E esta atitude dele mostrou que ainda confiava em mim, também nunca lhe dei provas do contrário. Mas seja como for ele que me desculpe por ter falado nisto agora.
Mas no fundo foi este encontro que me libertou de uma promessa de anos atrás, mas que nesta altura já não dizia nada, tinha consciência que entre mim e o Rui nunca iria acontecer nada, ele era tímido e eu tímida era. Olha que dois! Era para esquecer.

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Dezembro 2003 V

Ainda neste fim-de-semana foi o aniversário da Catarina, nem a Marina nem o Miguel estiveram presentes, a Marina estava na terra dos pais e o Miguel tinha ido a um casamento. O aniversário foi divertido, sobretudo porque eles não estavam presentes, o que permitiu que eu ficasse à vontade, mas o mais estranho foi quando um amigo meu começou a falar de um rapaz amigo dele, o Ricardo. No início achei piada, mas depois comecei a achar exagerado, e começou a perder a graça, mas ainda assim, na brincadeira disse para ele trazer o amigo um dia desses para conhecer, não a mim mas o grupo. Depois do jantar fomos até às Docas em Lisboa.
E o que eu não estava à espera, aconteceu. O Miguel estava lá com o pessoal do casamento. E já bêbado, perguntou-me se estava chateada com ele, foi a primeira vez que falámos depois de tudo o que tinha acontecido, e a acrescentar à pergunta deu-me uma rosa, isto é normal? Não, não é. Está bem que ele estava bêbado, mas não estava maluco, não lhe respondi e segui em frente, mas isso não o fez desistir, voltou-me a fazer a mesma pergunta quando teve oportunidade para isso, e desta vez mais sério e a olhar-me nos olhos, tudo aquilo me suava a falso. E ele só fez tudo aquilo porque a Marina estava a km’s de distância, caso contrário nem me teria dirigido a palavra. Ainda me disse que estava magoado comigo, porque o tinha tratado mal, isto é ridículo. O que ele fez durante os últimos meses foi ofensivo para mim, e veio falar-me que o tratei mal, no mínimo grotesco. Ele sugeriu para que falássemos no dia seguinte, e eu disse-lhe quando ele quisesse, era só combinar. Mas essa conversa não aconteceu. E não viria a acontecer tão cedo.

sábado, dezembro 20, 2003

Dezembro 2003 IV

Toda esta situação veio abalar o grupo em si, porque o que estava em jogo eram relacionamentos dentro do grupo, e as pessoas ficaram divididas no que pensar sobre o que tinha acontecido. Podia-me ter aproveitado disso, afinal, podia bem assumir um papel de vítima, e levar as pessoas a tomar o meu partido, mas eu nunca gostei deste tipo de jogos, e muito menos de ser a vitima. Até porque eu também tive a minha parte de culpa, já era tempo de ter crescido e deixado de acreditar tanto nas boas intenções dos outros, e saber que nem todos têm os mesmos valores que eu. Sempre pus os meus amigos acima de tudo e descobrir que estes não estão minimamente preocupados comigo, foi o que me doeu mais nesta situação. Acredito que tenham pensado o que esta situação me podia magoar, mas nada fizeram para minorar o impacto que esta revelação poderia ter para mim, e isso foi o mais triste, porque o podiam ter feito, se tivessem sido honestos comigo. Não pedia mais que isso. O impacto foi o mais grave.
Nunca discuti com uma amiga por causa de um homem, nunca achei que valesse a pena, abdicaria todas as vezes que fossem preciso, em prol de qualquer amizade, porque namorados substituem-se, mas amigos não. Começo a pôr em causa o valor dos meus amigos, pois não estou a ver ninguém a fazer o mesmo por mim. Eu não devia ter um coração tão grande, onde cabe tanta gente, porque o sofrimento é garantido. Mas ao mesmo tempo, orgulho-me de ser assim, a nobreza do meu espírito permite sempre uma segunda oportunidade, embora a confiança não seja a mesma, essa não voltam a trair, porque eu não volto a dar, mas estou lá sempre que precisarem de mim.

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Dezembro 2003 III

Para complicar as coisas ainda mais, fui sair nessa noite com o pessoal, nunca fui de baixar os braços às dificuldades, e nunca me permitir errar de maneira a andar de cabeça baixa… a única pessoa que tinha sido correcta nesta merda toda tinha sido eu, e tenho absoluta consciência disso. E, nessa noite, encontrei o Miguel, que foi arrogante comigo, ele sabia que a Marina tinha vindo falar comigo, e como ela ainda não lhe tinha dado resposta ele achava que eu tinha interferido, e ele deu-se ao direito de me atacar, foi só mais um erro, a somar a todos os que já tinha cometido. Estava mal mas não dei o braço a torcer, nem o gostinho de me ver triste.
O pessoal não sabia o que se estava a passar, e durante a semana seguinte foi quando o boato se espalhou, e o burburinho também, o pessoal estava chocado, ninguém entendeu o que se passou, todos estavam à espera que aproxima relação a acontecer fosse entre mim e o Miguel, todos ficaram sem perceber como é que a Marina apareceu no meio de isto tudo, e aí a minha confirmação, se tinha alguma dúvida que ele se tinha andado a meter comigo, essa dúvida terminou quando vi a cara de espanto de toda aquela gente. E para mim foi inquietante aperceber-me de tudo isso, e na altura só uma coisa me passava pela cabeça, ele não gostou nem mim nem dela, devia estar carente e a primeira que caísse, era com quem ele ficava… ainda bem que eu sou uma pessoa difícil, muito desconfiada.
No fim-de-semana seguinte, foi a minha vez de retribuir a consideração que ele mostrou ter comigo. Ousadamente, lembrou-se que podia brincar comigo, como se nada tivesse acontecido e mostrei-lhe à minha maneira que as brincadeiras dele já não era bem aceites, sei que tenho um poder de expressão enorme, e quando não gosto de uma coisa, não vale a pena disfarçar, que vai suar a falso, mas neste caso também não me apetecia disfarçar, a ideia era mesmo ele perceber que não fazia intenções de lhe dar mais trela. Neste momento a minha relação com ele tinha chegado a um ponto de saturação, e não havia maneira de voltar atrás. A partir do momento em que perco a confiança, esquece, não há volta a dar. E ele comigo não falhou só como homem, mas também falhou como amigo. Se ele queria manter a amizade tivesse sido honesto, porque de outra maneira, ou melhor não há outra maneira de se manter uma amizade.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Dezembro 2003 II

Preparámos a surpresa, sem referir uma única vez o Miguel, estava à espera que ela tomasse a iniciativa, mas estava difícil. Até que ela disse que ele tinha ido ter com ela, e que queria iniciar uma relação, senti o chão fugir-me dos pés, mas sempre estive à espera que isso acontecesse, o que eu nunca esperei foi como aconteceu. Nem um nem o outro tiveram uma atitude digna comigo. Eu contava as coisas à Marina, fui verdadeira, leal para com a nossa amizade, e em troca fui brutalmente atropelada. Será que a minha maneira de ser verdadeira com as outras pessoas, as inibe de serem verdadeiras comigo.
Será que os meus valores estão errados? Será que uma amizade não vale nada? Será que eu estou errada em tentar ser correcta com os outros, quando os outros me falham sempre? O meu erro é acreditar que possa no mundo existir uma pessoa como eu, não é que eu não erre, mas pelo menos tento errar o menos possível, e quando tenho consciência que erro, embora me custe, faço por remediar o que fiz… pelo menos tentar, é o menos que posso fazer, para ficar bem comigo, e sobretudo ficar bem com os outros. Mas isto não ficou por aqui, quando eu e a Marina seguimos cada uma para sua casa, ela teve atitude mais ridícula que podia ter tido na vida, disse que não tinha ainda dado uma resposta ao Miguel, pois estava à espera de falar comigo, que se eu dissesse que não, ela nunca estaria com ele. Isto para mim é ridículo, durante meses dei-lhe a hipótese de falar comigo sobre ele, e sobre o que sentia por ele, não o fez porque não quis, preferiu fazer as coisas nas minhas costas, talvez nos dias em que o Miguel não estava comigo estava com ela, ela sabia tudo o que se passava comigo, e ainda assim se meteu com ele, desabafei com ela vezes sem conta, sobre as dúvidas que tinha, e ela nada, agia como se ele fosse o último homem na terra para ela, e agora vinha pousar de boa moça para mim, também lhe disse, não é por minha causa que vocês não vão estar juntos, nunca vou decidir por ti nem por ninguém. Decide o que quiseres da tua vida, porque eu não quero ficar responsável por essa relação quer ela exista ou não. A vida é tua e dele e só vocês podem decidir sobre ela, nunca eu. Nunca permiti que ninguém decidisse por mim, não vou decidir por ninguém. De consciência tranquila, fiz o que achei certo, e vim-me embora.

sábado, dezembro 06, 2003

Dezembro 2003

Com o início de Dezembro, o Miguel voltou a ficar estranho, saia comigo, mas parecia que me queria dizer alguma coisa e que não conseguia. Tentei na medida do possível deixa-lo à vontade, mas parecia que não ficava. Até que um dia, ele veio directamente do trabalho dele ter comigo, ainda estive algum tempo à espera dele (já me estava a irrita com a espera). Fomos ao café de uma amiga minha, ai estivemos na brincadeira, e quando me foi levar a casa, a expressão dele tinha mudado, mas não percebi o que se estava a passar, perguntei-lhe se estava bem, mas não me respondeu nada de significante, o que me preocupou, mas não podia fazer nada. Uma vez que ele estava em Lisboa perguntei-lhe se ele queria ir beber café com o pessoal no outro dia depois do almoço, respondeu-me que não sabia porque tinha de ir a Lisboa.

A seguir ao café, no outro dia, eu e a Isabel fomos até Lisboa comprar umas coisas para fazer uma surpresa à Catarina, que é minha prima e fazia anos por estes dias, para entregar no jantar que a minha prima estava a combinar com o pessoal a meio de mês.
Quando eu e a Isabel estávamos em casa dela à espera da Marina para preparar a surpresa, qual não foi o meu espanto, ao vê-la chegar no carro do Miguel, ele tinha sim ido a Lisboa, ter com ela. A Marina saiu do carro feliz e contente, mas entrou em casa da Isabel com o semblante sombrio, já sabia que ia ser mal recebida por mim. Ela sabia que eu estava lá.

3Doors Down "Here Without You"