Fevereiro 2005 IV
Os dias de folga dele passaram ele regressou a Lisboa no dia 14 de Fevereiro e tínhamos encontro marcado para o dia 15, como no dia anterior tinha sido o dia dos namorados,
apesar do clima negativo eu fui comprar um presente para ele que estava disposta a dar independentemente do rumo desta conversa, era um livro, mas não um livro qualquer: “Diário da Nossa Paixão”, da autoria de Nicholas Sparks, a história que tínhamos visto no cinema. Dia 15 chegou, com a promessa que íamos conversar, ao contrário dos outros dias, nem como amigos nos cumprimentámos, ele entrou no meu carro e seguimos até um lugar mais recatado. Não estava preparada, embora esperasse, para o que ia viver, nem para o pouco que ia ouvir. Assim que parei o carro ele disse, as piores palavras que ouvi na vida, a pior forma de as dizer, e tal com as ouvi, transmito: “Não tenho tempo, se calhar é melhor parar por aqui.” até hoje não percebo, tempo, era tudo uma questão de tempo. Eu nunca lhe pedi tempo, e foi isso que lhe disse, eu sabia que ele não tinha tempo, eu pedi carinho, atenção, respeito, mas nunca tempo. Eu percebia a vida que ele tinha escolhido, mas ele não percebeu que eu o tinha escolhido a ele, e ele atirou tudo fora, sem um esforço.
apesar do clima negativo eu fui comprar um presente para ele que estava disposta a dar independentemente do rumo desta conversa, era um livro, mas não um livro qualquer: “Diário da Nossa Paixão”, da autoria de Nicholas Sparks, a história que tínhamos visto no cinema. Dia 15 chegou, com a promessa que íamos conversar, ao contrário dos outros dias, nem como amigos nos cumprimentámos, ele entrou no meu carro e seguimos até um lugar mais recatado. Não estava preparada, embora esperasse, para o que ia viver, nem para o pouco que ia ouvir. Assim que parei o carro ele disse, as piores palavras que ouvi na vida, a pior forma de as dizer, e tal com as ouvi, transmito: “Não tenho tempo, se calhar é melhor parar por aqui.” até hoje não percebo, tempo, era tudo uma questão de tempo. Eu nunca lhe pedi tempo, e foi isso que lhe disse, eu sabia que ele não tinha tempo, eu pedi carinho, atenção, respeito, mas nunca tempo. Eu percebia a vida que ele tinha escolhido, mas ele não percebeu que eu o tinha escolhido a ele, e ele atirou tudo fora, sem um esforço.Fiquei mais de uma hora a disparatar horrores e ele não moveu uma pestana, perguntei-lhe se ele sabia qual tinha sido a pior saída da minha vida, e ele simplesmente respondeu ao Cristo Rei, ele próprio teve noção do que se tinha passado nesse dia, e nada fez, assim que teve oportunidade nesse dia fugiu, sem se quer olhar para trás, foi aí que ele assinou a sentença de morte de qualquer tipo de relação que pudesse querer ambicionar ter comigo, mas isso já tinha passado… estava agora como o maior dilema da minha vida.

Naquela hora disse tudo o que me ia na alma, fosse verdade ou não fosse eu só o queria atingir, queria que ele me mostrasse alguma coisa, alguma coisa que ainda valesse a pena, e ele simplesmente me ficou a ouvir. Posto isto apenas lhe disse, que ele já não tinha idade para brincar com os sentimentos das pessoas, eu não vivo na ilusão sei perfeitamente que há homens e mulheres no mundo que se dedicam a magoar os outros, mas eu acreditava que ele não era assim, e que se tivesse acontecido desta vez foi porque não tínhamos de ficar juntos e que ele ainda tinha salvação. Disse-lhe que se ele quisesse uma experiência tinha de ter cuidado com quem queria ter as experiências, que não fazia sentido ser com uma pessoa que se conhece desde sempre, porque aí corremos o risco de perder todo um passado juntos que é sempre bonito recordar, por causa de uma experiência que correu mal. De que vale uma amizade se a pomos em causa, se a destruirmos por causa de nada. Não faz sentido o que eu vivi com ele. Disse-lhe ainda que a próxima vez que ele se lembrasse de estar com uma mulher que tivesse a certeza do que queria, já não está na altura de brincar, mas sim de definir o que se quer para a vida. Disse-lhe ainda se ele gostava que tivessem feito uma barbaridade destas com uma das irmãs dele, o que obtive foi silêncio. Claro que se calou… é muito fácil criticar as pessoas e a atitude delas, o difícil é colocar-nos no lugar delas para ver quanto as magoámos… isso sim é difícil.
Eu estava furiosa, quando olhei para o relógio já eram 20 horas e estava a ficar tarde para mim, já estava farta de falar, falar, falar… e em troca tinha recebido apenas silêncio, estava saturada da situação e pus a mão às chaves para pôr o carro a trabalhar, foi quando ele reagiu a primeira vez, e disse: “não te vás embora, vamos continuar a falar”, olhei parva para ele, estupefacta como o que ele tinha acabado de dizer, ele pouco ou nada tinha dito durante esta hora e tal de impropérios que eu tinha despejado, para o ver reagir e ele nada.
Parei, olhei para ele e disse: “então fala que eu já estou farta de falar.” Foi quando ele disse um conjunto de coisas, que quanto a mim, mais valia ele ter estado calado, como até ali.
A única coisa que ele me conseguia dizer é que não havia outra pessoa, e insistiu naquilo ou ponto de me irritar e em resposta lhe dizer: “Mais valia que houvesse pelo menos assim eu entenderia o que tinha acontecido, havia uma razão.”
Assumiu, que visivelmente não reage a nada, não sei porque é que ele me estava a dizer aquilo, até porque eu já tinha percebido pela conversa que estávamos a ter. Qualquer outra pessoa, tinha se passado comigo e de duas, uma, eu não tinha dito metade das coisas, porque me tinha deixado a falar sozinha, ou simplesmente tinha argumentado comigo o suficiente para eu não dizer metade das coisas, e ele não ouviu e calou-se. O que denota de duas, uma, não ouviu nada do que eu disse, ou simplesmente assumiu a vergonha de tudo o que lhe estava a dizer… porque definitivamente é vergonhoso, um homem desta idade comportar-se como ele o fez.



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