Outubro 2004 X
Como estava a dizer, ainda em Outubro voltámos a encontrar-nos e desta vez não lhe resisti, embora me tenha cumprimentado como a uma amiga, e tenhamos falado de coisas banais durante algum tempo, até que não resistindo iniciei o meu caminho para o precipício, o caminho estava de tal modo enublado que eu não via o que estava à minha frente… um enorme precipício. Cheguei a um ponto, em que não pensar no que estava a viver, era o que me permitia continuar, consciente de que estava a perder a minha essência, aquilo que sempre me orgulhei na vida, nunca precisei de mentir ou enganar para fazer, ou viver, o queria, mas foi o que ele me pediu intercalando com frases que me minavam as defesas, frases que até hoje não param, repetidamente, de me invadir os pensamentos. Pareceu-me que facilmente ele dizia, “cada vez gosto mais de ti”, e disse-o com todas as letras 15 dias depois de termos iniciado não “sei” o quê. Se gostava de mim porque é que ele me pedia para deixar de ser quem sou? Hoje tenho a consciência que foi a única pergunta que devia ter feito e não fiz, hoje tenho consciência que este foi o meu maior erro, porque tinha medo de o perder. No fundo nós iniciamos uma relação em conflito, ele queria guardar um segredo, que esta relação ficasse só entre nós e ao querer isto deixou de estar comigo, porque eu deixei de ser eu, deixei de ser autêntica, de ser espontânea, porque ele me pediu tudo o que eu não queria, tudo o que eu não podia. Um sentimento não se esconde, sobretudo, quando é bonito, e era muito bonito o sentimento que tinha por ele, era tão forte a vontade que eu tinha de o pôr cá para fora, que duas amigas minhas já sabiam antes mesmo de ele me pedir segredo. Eu já tinha guardado um segredo durante tanto tempo, porquê mais?







