domingo, outubro 31, 2004

Outubro 2004 X

Como estava a dizer, ainda em Outubro voltámos a encontrar-nos e desta vez não lhe resisti, embora me tenha cumprimentado como a uma amiga, e tenhamos falado de coisas banais durante algum tempo, até que não resistindo iniciei o meu caminho para o precipício, o caminho estava de tal modo enublado que eu não via o que estava à minha frente… um enorme precipício.

Cheguei a um ponto, em que não pensar no que estava a viver, era o que me permitia continuar, consciente de que estava a perder a minha essência, aquilo que sempre me orgulhei na vida, nunca precisei de mentir ou enganar para fazer, ou viver, o queria, mas foi o que ele me pediu intercalando com frases que me minavam as defesas, frases que até hoje não param, repetidamente, de me invadir os pensamentos. Pareceu-me que facilmente ele dizia, “cada vez gosto mais de ti”, e disse-o com todas as letras 15 dias depois de termos iniciado não “sei” o quê. Se gostava de mim porque é que ele me pedia para deixar de ser quem sou? Hoje tenho a consciência que foi a única pergunta que devia ter feito e não fiz, hoje tenho consciência que este foi o meu maior erro, porque tinha medo de o perder. No fundo nós iniciamos uma relação em conflito, ele queria guardar um segredo, que esta relação ficasse só entre nós e ao querer isto deixou de estar comigo, porque eu deixei de ser eu, deixei de ser autêntica, de ser espontânea, porque ele me pediu tudo o que eu não queria, tudo o que eu não podia. Um sentimento não se esconde, sobretudo, quando é bonito, e era muito bonito o sentimento que tinha por ele, era tão forte a vontade que eu tinha de o pôr cá para fora, que duas amigas minhas já sabiam antes mesmo de ele me pedir segredo. Eu já tinha guardado um segredo durante tanto tempo, porquê mais?

domingo, outubro 24, 2004

Outubro 2004 IX

Voltámos a encontrar-nos, e eu não ia conseguir resistir sempre, este sentimento de anos tinha de sair cá para fora, e iria sair bem ou a mal.
Não querendo empurrar a minha responsabilidade para outras pessoas, porque a decisão final era sempre minha, tenho que admitir que se não fosse o incentivo da Isabel e da Marília eu nunca teria ido tão longe numa relação que racionalmente tinha tudo para dar errado, e que emocionalmente eu acreditava, com a minha vida, que iria dar certo. Acreditava, sobretudo, porque conhecia o Rui desde sempre, ou quase sempre. Mesmo ele não tendo feito parte da minha infância, era como se assim fosse, o gostar dele não foi coisa de momento, foi um sentimento que cresceu com o tempo que convivemos, com a admiração que tinha por ele. Aquela atitude quase inatingível dele, sempre sério, dava a sensação que queria que tudo fosse perfeito, que tudo fosse feito da forma mais correcta, como se não se quisesse arrepender de nada e ao mesmo tempo transmitia uma força, como se tivesse sempre razão, apercebia-me que apesar de ele falar pouco quando falava todos o ouviam. Era uma admiração que não era só minha mas de todos, mesmo sem consciência disso. Mas ao mesmo tempo era uma força interior que não se impunha, era naturalmente assim. Mas ouviam-no não só por ouvir, mas porque quando falava era com razão, uma razão quase inquestionável. Era como se ele só ouvisse, e apenas interferisse quando era extremamente necessário. Daí a minha decepção com ele, a atitude dele comigo estava completamente fora de tudo aquilo que eu pensava dele. Com ele nunca pensei poder viver uma incerteza, porque com ele tudo era concreto, real. Mas talvez o erro fosse meu, afinal era o que eu pensava dele, talvez não fosse ele mesmo. Talvez tenha sido eu a iludir-me e não ele. Talvez tenha criado uma grande expectativa em torno dele, e me tenha esquecido que por ser humano ele também erra. Mas tendo consciência de tudo isto ainda assim me magoava imenso a atitude dele. Nunca o vi errar, nunca, mas ele tinha de errar comigo!?
É o meu grito, há-de ser sempre o meu grito.

sábado, outubro 23, 2004

Outubro 2004 VIII

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sexta-feira, outubro 22, 2004

Outubro 2004 VII

No dia seguinte o Rui foi para a terra, e tinha dito que só nos podíamos ver na quarta, até lá seja o que Deus quiser.
Confusa, completamente confusa, tive de desabafar, e falei com a Isabel sobre o que tinha acontecido, da minha angústia, das minhas dúvidas, do meu medo… de não saber o que fazer. Tenho que admitir que ela foi das pessoas que mais me apoiou e me incentivou a seguir em frente. Nesta altura ela foi muito importante, se não fosse ela eu teria desistido sem ter começado. A incerteza da relação que ele queria ter comigo, era o suficiente para eu não ir em frente, nunca fui de ter relações instáveis, e por isso mesmo não tenho uma lista de namorados para mostrar, eu nunca estive com ninguém que não gostasse verdadeiramente, e isso é sempre tão raro. Estar por estar nunca foi coisa que fizesse sentido para mim. E neste caso eu gostava e gostava muito, ao ponto de fazer exactamente aquilo que nunca concordei. E aceitei entrar numa relação que hoje sei que não existiu. E agora sei que amar é ir contra tudo, muitas vezes é deixar de sermos nós, é perder o juízo, é fazer o que achávamos que nunca faríamos.

quarta-feira, outubro 20, 2004

Outubro 2004 VI

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sábado, outubro 16, 2004

Outubro 2004 V

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sexta-feira, outubro 15, 2004

Outubro 2004 IV

Entretanto, eu e o Rui combinámos um programa daqueles, um jantar com cinema incluído e tudo… Prometia!!!

Sexta, dia 15 de Outubro era o grande dia.

E esse dia chegou, estava ansiosa, nem sabia o que pensar, tudo podia acontecer. Tudo é a palavra certa. Combinámos encontrar-nos às 19 e meia à entrada do Vasco da Gama em Lisboa, e à hora combinada lá estávamos nós.

Antes de decidir onde íamos jantar, comprámos os bilhetes de cinema. O filme escolhido: “Diário da Nossa Paixão”, prometia! Tenho que admitir que a escolha foi minha, já tinha lido o livro, da autoria de Nicholas Sparks, e fiquei curiosa com o filme, além disse um filme com a intensidade de sentimentos que este prometia, só podia ver numa boa companhia, e neste momento na minha vida ele era a melhor companhia que eu podia escolher. Depois da compra dos bilhetes, decidimos jantar no Italiano, tivemos direito a velas e tudo, a conversa foi animada num ambiente romântico, não podia ter corrido melhor até aqui. Findo o jantar, início do filme. Foram as duas horas mais longas da minha vida, foi desconcertante assistir um filme com ele, arrependi-me do filme que escolhi, da companhia que escolhi…

Outubro 2004 III

No dia 13 o Ricardo fazia anos e eu não tive como lhe dizer que não ao convite que ele me fez de ir beber um café. Não vi maldade nisso. Apesar do sentimento que ele tinha por mim, eu não deixava de ser amiga dele, e como amiga poderia estar com ele ou com qualquer outro amigo, porque os amigos estão sempre presentes em qualquer ocasião. A Isabel tinha me dito que ele estava a tentar me esquecer, mas eu verifiquei que ainda o afectava, e tive pena de tê-lo magoado tanto, nunca foi essa a minha intenção. Tenho que admitir que ele tentou não tocar no assunto, mas não conseguiu e acabou por mais uma vez me pedir para estar com ele. Sem lhe dizer que isso não seria possível porque eu gostava de outra pessoa, porque não tenho o direito de o magoar e por cima disso ainda o massacrar, disse-lhe apenas que não dava, que me esquecer seria o melhor para ele neste momento. Não sei se ele entendeu desta vez, que não dava mesmo.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Outubro 2004 II

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sexta-feira, outubro 08, 2004

Outubro 2004

Talvez já não te lembres mas a primeira vez que nos encontramos em Lisboa, cidade que tu odeias e palco da nossa relação, foi a 6 de Outubro. Nesse dia combinámos ir beber um café depois do trabalho, estava feliz, feliz até demais que metia medo, um medo forte que algo corresse mal. Se mal te lembras tínhamos combinado encontrar-nos em frente ao Vasco da Gama no Oriente por volta das sete e meia, e o meu medo instalou-se de forma devastadora, quando por essa hora tu não estava lá, no local que combinámos… e na minha cabeça já me chamava de todos os nomes e mais alguns… pensava o quanto tinha sido ingénua por acreditar que tu virias ter comigo, o tempo passava e tu não vinhas, os minutos pareciam horas… o tempo ia passando e tu nada, cada minuto que passava pensava em me ir embora, e deixar para trás toda esta loucura que eu própria não estava a entender. Decidi que esperava por ti até às oito horas, e depois deixava para trás, qualquer coisa que lá estivesse. Mas antes das oito tu chegaste e desde cedo te dei a entender que não gostava de esperar, é das coisas que mais me angustia. Eu só tenho esta vida e todo o tempo que perco a esperar por alguma coisa, já não o recupero… então porque esperar. Se valer a pena vou a trás, se não valer a pena viro-lhe as costas. Neste caso se ele ate às oito não aparecesse, ou não dissesse nada, era porque não valia a pena, afinal não tinhas tido muito respeito por mim, mas o que importa é que apareceste.
E na realidade já tinha chegado a algum tempo, mas tínhamo-nos desencontrado. Com todo este desencontro o tempo tornou-se curto e em vez de um café, acabámos por jantar juntos, na esplanada do Vasco da Gama e falámos, falámos, falámos… nem sei como foi possível falar tanto com ele, aquele rapaz que para mim parecia sempre tão calado. Tomei consciência de uma coisa, tinha medo que por causa da vida profissional que ele escolheu seguir, ele já não fosse o mesmo Rui, que sempre admirei. Ele mudou eu sei que sim, só ainda não sei o que é que ele mudou… mas talvez ainda descubra.

No final da noite ele acompanhou-me até ao carro, e eu com um sorriso nos lábios segui para casa, será que era o início de algo?

3Doors Down "Here Without You"