Julho 2004
Em Julho as mensagens do Rui continuavam, e eu sempre confusa com o que se estava acontecer. Não é que ele não fosse meu amigo, e que não pudesse mandar-me mensagens, muito pelo contrário, nunca virei as costas a quem quisesse falar comigo, sempre tive disponível para todas as pessoas. O problema com o Rui era que ele nunca me disse muita coisa, as mensagens que me mandavam estavam sempre relacionadas com dias festivos e pouco ou nada saída daí. Comecei a questionar se não era ele que tinha poucos amigos no Algarve e por isso se tinha lembrado de mim, mas agora a pergunta era porquê de mim. Ele já tinha trabalhado em Lisboa, e do tempo todo que aqui esteve veio ter com o meu grupo uma vez e quase de certeza porque o pessoal lá da terra o arrancou de casa, ou caso contrário não teria aparecido lá, e é o conjunto de todas estas situações que me confundia mais. Se eu conhecia um bocadinho o Rui, estava a passar-se alguma coisa com ele, devia estar numa situação muito semelhante à minha, num turbilhão de sentimentos sem compreensão nenhuma… mas isso também não me fazia sentido nenhum. Tinha que haver um momento qualquer, qualquer coisa que justificasse o comportamento dele, porque ele estava a desviar-se da pessoa que eu conhecia, e o que é que o tinha influenciado. Porque o meu comportamento era o mesmo, ele mandava mensagem e eu respondia, nunca fui mal-educada, e ele sabia bem disso, além disso sempre me dei bem com ele, e nunca escondi isso, independentemente de qualquer sentimento que tinha por ele. Por isso era óbvio que nunca lhe ia deixar de responder.
Este ano, nos finais de Julho eu e os meus amigos fomos fazer canoagem, o que coincidiu com o primeiro fim-de-semana da feira, eu mais algumas pessoas que foram à canoagem ainda fomos jantar à Vila nas tasquinhas, mas foi o único tempo que tive lá, pois foi um fim-de-semana complicado. Além disso, durante a semana fui trabalhar e no fim-de-semana seguinte tive um casamento em Lisboa, o que me impediu de ir a Vila de Rei na altura da Feira. E nas horas que lá tive, acabei por não falar com ninguém, porque não ia lá estar muito tempo. 
