sábado, março 26, 2005

Março 2005 V

No entretanto, eu e os meus amigos de Lisboa começamos a organizar-nos para ir passar o fim-de-semana grande do feriado de 25 de Abril ao Gerês. Eu tinha consciência que a viagem ia ficar um pouco cara para o meu bolso, mas eu ia fazê-la na mesma, até era na altura do meu aniversário, ia ficar como prenda de aniversário. E além disso eu precisava de um pouco de alegria na minha vida. Afinal, amor não tenho, emprego não tenho, dinheiro não tenho, vivo na corda bamba, mas pelo menos realizo um sonho: conheço o meu país.
Quando estávamos a combinar as coisas para o Gerês, o Ricardo andava impossível, até uma declaração me fez, à frente de quem quisesse ouvir. Eu e o pessoal estávamos admirados com a atitude dele, mais uma vez lhe disse a minha opinião, mas ele definitivamente é um querido comigo. O problema disto tudo, é que eu gosto do carinho que ele me dá, mas não posso de maneira nenhuma usar esse carinho e criar falsas esperanças no coração deste rapaz. Não tenho esse direito. Quantas mulheres nesta vida, aproveitam-se de uma grande decepção, para justificar as suas atitudes menos correctas em relação às pessoas que gostam delas, como se alguém tivesse o direito de magoar alguém. Como se o facto de a pessoa que eu gostasse me ter deixado, me desse o direito de tratar mal todas as pessoas que gostam de mim. Espero nunca perder o meu senso de justiça, por mais que seja maltratada pela vida e pelas pessoas que fazem parte da minha vida. Que Deus me proteja de tal atitude, posso cometer muitos erros mas espero nunca cometer esse. Porque o maior desrespeito seria por mim mesma, e pelos valor que eu preservei ao longo de toda a minha vida. Tive várias pessoas a defender o Ricardo e o sentimento que ele tinha por mim, numa luta incessante para que eu ficasse com o Ricardo, com algumas dessas pessoas acabei por explicar que gostava de outra pessoa (o que não era mentira por mais que me custe admitir) para que me deixassem em paz, mas ainda assim houve quem de dissesse para lhe dar uma oportunidade, porque não tinha nada a perder. E quanto mais me falavam disso, mais me convenciam do contrário. Eu nunca era capaz de estar com uma pessoa, a pensar noutra, foi coisa que nunca consegui fazer, e não ia fazer isso a ele, embora não fosse como ele queria eu gostava muito dele, e a única coisa com que me preocupava era magoa-lo o menos possível. E eu não o ia usar, para esquecer seja quem for. Eu nunca consegui estar com uma pessoa de quem não gostasse o suficiente para sonhar com um futuro junto… talvez por isso nunca tenha tido muitos namorados, e os que tive foram sonhos tão pequenos comparados com o sonho que tive com o Rui.

3Doors Down "Here Without You"