Dezembro 2004 VII
Houve uma situação, a meio de Dezembro, em que ele me tinha dito que ia a um jantar, a aproveitei e marquei para o mesmo dia um jantar com as minhas colegas de faculdade, já não as via há imenso tempo, e adoro estar com elas… tinha sido ele a dizer que ia a esse jantar, quando chegou o dia deu a entender que queria estar comigo, e não ir a esse jantar… as coisas também não podiam ser assim, provavelmente as minha amigas tinham deixado de fazer um conjunto de coisas para vir jantar comigo, para por isso em causa por causa de uma relação que não tinha pés nem cabeça. Se pudesse ver as minhas colegas e amigas da faculdade com facilidade, talvez tivesse desmarcado o jantar… mas não era bem assim, elas moram longe, e já tínhamos demorado tanto tempo a marcar este jantar que não tive coragem de desmarcar, não é que não quisesse estar com ele, mas é uma questão de respeito e responsabilidade, já não era criança nenhuma para estar a fazer loucuras umas a trás das outras.

Mas quando ele fazia estas coisas chegava a pôr em causa, se não era apenas para me testar, não estava a ver ele a deixar de ir a um jantar marcado para estar comigo, eu própria não acreditava nisso, não o considero uma pessoa irresponsável a esse ponto… Afinal, era a mesma pessoa que me perguntava quando é que eu ia à terra, e quando ele via o brilho dos meus olhos, em tom de brincadeira dizia, “… mas age como se não me visses à muito tempo, pergunta-me: O que tens feito?” eu estava no meu limite, e ele estava a diminuir o meu sentimento por ele. Era uma decepção a trás de outra, ele chegava a ser desumano com este género de brincadeiras. Que eu não via como brincadeiras, ele dizia exactamente o que queria dizer, disso eu não tenho dúvidas. Para que ele não visse que me magoava com estas brincadeiras alinhava a brincar com ele, com o coração partido em mil bocadinhos, e tentando agarrar cada um deles para não desanimar de todo. Não partilhava com ele estas dúvidas, ou certezas, porque não existia relação nenhuma entre nós. Já não existia… era apenas eu a acreditar que sim.


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