Dezembro 2004 X

Encontrámo-nos ao pé do Bowling, cumprimentámo-nos como dois amigos, como sempre fazíamos, mas ainda assim tentei uma vez que íamos jantar juntos, segurar-lhe na mão, foi a maior estupidez que fiz na vida, ele recusou, não faz sentido nenhum. O que é que eu estava a fazer com ele!? Onde é que estava o meu orgulho? Onde é que estava a pessoa que eu sou para aceitar isto, aquela pessoa que se revolta com a injustiça, onde é que eu estou? Ainda assim não desisti, tentei mais uma vez quase desesperada que ele me segurasse a mão, mas ele estava irredutível. Eu tinha a cabeça a mil, até hoje não sei o que me manteve ali. Fiquei apática eu não acreditei no que se estava a passar, estava umas pessoas a trás de nós que deviam pensar que estávamos malucos. Se ele tivesse segurado a minha mão nem que fosse por dois segundos, naquele momento tinham sido os segundos mais importantes da minha vida. Ele arrebentou com o meu dia, que já não tinha sido muito bom no trabalho. Fomos jantar, como era de se esperar não correu muito bem depois de uma cena destas, mas para piorar a situação, ele embirrou comigo pelo simples facto de me ter rido. Embirrou que eu estava a rir para uma pessoa que conhecia, e eu apenas me tinha rido porque estávamos com o tabuleiro de comida na mão e não tínhamos mesa disponível, era uma situação no mínimo cómica, naquela altura para mim, hoje quando escrevo também não percebo porque é que me ri, mas achei piada na altura, ou simplesmente tivesse nervosa e foi a maneira que arranjei para eliminar a raiva que sentia… mas não era preciso a reacção que ele teve, até mesmo se eu me tivesse rido para alguém que conhecesse, mas se assim fosse não tinha motivos para lhe mentir, até agora só tinha mentido por causa dele, nunca a ele. Nem ele tinha motivos para achar que lhe estava a mentir. É ridículo, um dia para esquecer. Eu só queria acabar aquele jantar e sair dali. Já tinha dado o que tinha a dar. Depois do jantar ainda estivemos um pouco juntos, voltámos a falar do facto de eu me ter rido, definitivamente ele não acreditou em mim, paciência, ele é que sabia no que queria acreditar. Quando ia para me ir embora, um pouco desanimada, ele deu-me um presente de Natal, e eu fui ao meu carro buscar o meu e dei-lhe. O presente dele não vinha embrulhado, era um livro “Rumo à Felicidade” de Justine Picardie pedi-lhe para assinar o livro e simplesmente escreveu “Com muito carinho te ofereço este livro. Espero que gostes. Rui”. Curioso, não é!? Mas não foi o suficiente para eliminar a minha tristeza de tudo o que tinha vivido nesse dia. Eu gosto imenso dele só que não sei o que se está a passar connosco e as dúvidas que tive no início começaram a surgir novamente mas de forma diferente, parece que já não dou tanta importância, é como se estivesse anestesiada. Acho que já sofri tanto, que parece que estou a assistir ao que se está a passar-se comigo, e não a vive-lo… Tenho tanto medo que o que sinto por ele esteja a diminuir, mas depois de tudo o que aconteceu, qualquer sentimento seria minado, e é o que eu sinto em relação ao meu sentimento por ele, está de tal modo minado, que basta um pequeno toque que será todo destruído em explosões. Mas na realidade eu não queria que nada disso acontecesse. Afinal quando estou com ele, sei que ele é o meu mundo, o problema é quando não estou, penso muito nele mas parece que já não é tão intenso.



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