Dezembro 2003 III
Para complicar as coisas ainda mais, fui sair nessa noite com o pessoal, nunca fui de baixar os braços às dificuldades, e nunca me permitir errar de maneira a andar de cabeça baixa… a única pessoa que tinha sido correcta nesta merda toda tinha sido eu, e tenho absoluta consciência disso. E, nessa noite, encontrei o Miguel, que foi arrogante comigo, ele sabia que a Marina tinha vindo falar comigo, e como ela ainda não lhe tinha dado resposta ele achava que eu tinha interferido, e ele deu-se ao direito de me atacar, foi só mais um erro, a somar a todos os que já tinha cometido. Estava mal mas não dei o braço a torcer, nem o gostinho de me ver triste.O pessoal não sabia o que se estava a passar, e durante a semana seguinte foi quando o boato se espalhou, e o burburinho também, o pessoal estava chocado, ninguém entendeu o que se passou, todos estavam à espera que aproxima relação a acontecer fosse entre mim e o Miguel, todos ficaram sem perceber como é que a Marina apareceu no meio de isto tudo, e aí a minha confirmação, se tinha alguma dúvida que ele se tinha andado a meter comigo, essa dúvida terminou quando vi a cara de espanto de toda aquela gente. E para mim foi inquietante aperceber-me de tudo isso, e na altura só uma coisa me passava pela cabeça, ele não gostou nem mim nem dela, devia estar carente e a primeira que caísse, era com quem ele ficava… ainda bem que eu sou uma pessoa difícil, muito desconfiada.
No fim-de-semana seguinte, foi a minha vez de retribuir a consideração que ele mostrou ter comigo. Ousadamente, lembrou-se que podia brincar comigo, como se nada tivesse acontecido e mostrei-lhe à minha maneira que as brincadeiras dele já não era bem aceites, sei que tenho um poder de expressão enorme, e quando não gosto de uma coisa, não vale a pena disfarçar, que vai suar a falso, mas neste caso também não me apetecia disfarçar, a ideia era mesmo ele perceber que não fazia intenções de lhe dar
mais trela. Neste momento a minha relação com ele tinha chegado a um ponto de saturação, e não havia maneira de voltar atrás. A partir do momento em que perco a confiança, esquece, não há volta a dar. E ele comigo não falhou só como homem, mas também falhou como amigo. Se ele queria manter a amizade tivesse sido honesto, porque de outra maneira, ou melhor não há outra maneira de se manter uma amizade.
mais trela. Neste momento a minha relação com ele tinha chegado a um ponto de saturação, e não havia maneira de voltar atrás. A partir do momento em que perco a confiança, esquece, não há volta a dar. E ele comigo não falhou só como homem, mas também falhou como amigo. Se ele queria manter a amizade tivesse sido honesto, porque de outra maneira, ou melhor não há outra maneira de se manter uma amizade.

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