Dezembro 2003 VI
Ainda nesta altura para complicar, um bocadinho mais as coisas, o Luís irmão do Rui telefona-me com uma voz desesperada, que queria falar comigo, já não andava bem, quando recebi este telefonema só pensei, “Era só o que me faltava!”. A minha vida já está de pernas para o ar, e ele ainda ia ajudar a complicar um bocadinho mais. Mas o desespero dele deixou-me preocupada, e não tive maneira de lhe dizer que não ia, meio de surra sai de casa e encontrei-me com ele na rotunda lá perto, parámos mais em baixo no estacionamento perto da igreja e ai ele desabafou. Eu estava com uma tensão tal, que no início nem estava a perceber o que ele estava a dizer, quando percebi o problema dele senti alívio, e o peso de anos estava agora a sair-me das costas… ele procurou-me porque estava a ter um problema com a namorada, e não sabia como o resolver, tenho de admitir que na altura não o pode ajudar muito, afinal também não andava bem. Mas senti que lhe fez bem o simples facto de ter desabafado. 

E quando ia a caminho de casa com um sorriso nos lábios ainda que inconscientemente pensei no Rui e no telefonema que no mês passado tinha recebido dele, por causa de um engano, e pensei que se fosse noutra altura, iria lutar por ele. Mas já me tinha apercebido que era uma ilusão da adolescência, não havia maneira de fazer vingar esta hipotética relação. Até ao dia em que estou a escrever guardei segredo deste encontro, porque o Luís assim me pediu, mas além de não haver maldade neste encontro, se quando temos problemas não falarmos com os amigos, para que é que eles servem. E esta atitude dele mostrou que ainda confiava em mim, também nunca lhe dei provas do contrário. Mas seja como for ele que me desculpe por ter falado nisto agora.
Mas no fundo foi este encontro que me libertou de uma promessa de anos atrás, mas que nesta altura já não dizia nada, tinha consciência que entre mim e o Rui nunca iria acontecer nada, ele era tímido e eu tímida era. Olha que dois! Era para esquecer.



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