segunda-feira, julho 11, 2005

Julho 2005 II

Um dia de manhã, assim que chego ao trabalho, telefono à minha mãe lavada em lágrimas, e disse-lhe que ia desistir, ela nunca me tinha sentido tão em baixo, e apenas me disse: “Não vale a pena chorar minha filha, se não quiseres estar aí vem embora.” Era só o que eu precisava ouvir. Não foi uma decisão que tomei de ânimo leve, já vinha a pensar nisso há muito tempo, mas eu queria mostrar a mim mesma que ia conseguir, e custou-me imenso ter de admitir que não, não estava emocionalmente preparada para começar tudo novamente e precisava de parar, e parei.

Com a decisão que tinha tomado, sai de lá com o coração mais leve, e sabia que não me ia arrepender da decisão que tinha tomado, porque se continuasse lá, eu ia-me prejudicar muito mais, ainda assim sai de lá com a cabeça erguida e com a consciência que tinha desempenhado bem a minha função, porque apesar de tudo me empenhei bastante na realização das minhas tarefas, e tenho a certeza que ninguém pensou que eu era irresponsável, algumas pessoas aperceberam-se que eu não estava bem e respeitaram o facto de eu me quer ir embora antes que fizesse alguma asneira. E eu agradeço a eles por isso. Se calhar daqui a algum tempo vou me rir desta situação, talvez porque nenhum destes motivos fosse suficientemente grande para eu pôr em causa a minha carreira profissional, que foi o que na realidade eu fiz. Mas vou ter sempre a consciência de que tomei a atitude certa na altura certa, eu estava muito perto de um esgotamento e precisava de me reencontrar, e completamente envolta em instabilidade eu não ia conseguir e sabia que estava muito perto do meu limite. Desistir era a única coisa que tinha a fazer neste momento. As minhas perspectivas não eram boas tomasse eu a decisão que tomasse, mas aquela que ainda me permitia ver uma luz no final do túnel, foi a que tomei.

Os dados estavam lançados.

3Doors Down "Here Without You"