Novembro 2004
Novembro entrou, e nós continuámos a encontrar-nos, e ele sempre a cumprimentar-me como a uma amiga, inicialmente falávamos de banalidades e depois de algum tempo ele tomava a iniciativa, e curtíamos, andávamos…
dêem-lhe o nome que quiserem, eu até hoje tenho dificuldades de perceber o que é que eu tive com ele. E isto era ritual, em todos os encontros. Como devem calcular não há sentimento que resista, mas contudo, eu fui sempre empurrando com a barriga na esperança que melhorasse.
dêem-lhe o nome que quiserem, eu até hoje tenho dificuldades de perceber o que é que eu tive com ele. E isto era ritual, em todos os encontros. Como devem calcular não há sentimento que resista, mas contudo, eu fui sempre empurrando com a barriga na esperança que melhorasse.Ainda assim no início de Novembro, chegámos a ter uma conversa sobre nós, ainda que suavemente, para não o assustar, disse-lhe que estava descontente, mas ainda assim tudo ficou na mesma. Como ele dizia: “Deixa andar, vamos ver o que isto vai dar”. E eu pensava com esta atitude boa coisa não deve de dar.
A dada altura ele chegou-me a perguntar se tinha ido à terra por causa dele e eu surpresa com a pergunta, dei a entender que sim. Eu gostava tanto que ele tivesse tido consciência do que me estava a fazer, nunca percebi se não entendia ou fazia que não entendia. Mas pus em causa uma coisa, uma verdade quase irrefutável, que os primeiros tempos de uma relação são sempre um mar de rosas. Tenho que admitir que eu devo ser uma pessoa muito má, porque nem isso eu tive direito. Eu não fui feliz, nem no início, nem no meio, nem no fim e nem agora… e como eu gostava dele, ele nem sonha o quanto eu gostei dele. Mesmo não sendo feliz o pouco que ele me dava, era muito para mim, quase o pão do pobre, o suficiente para estar viva, desde que ele estivesse comigo.

Mas não era tudo mau, quando eu conseguia abstrair-me destas situações que me atrofiavam o cérebro, havia situações que superavam em tudo os pontos negativos que vivia, o problema é que esses pontos negativos eram sempre, e os positivos eram como rebuçados que se dão às crianças, só de vez em quando.


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