Outubro 2004 IX
Voltámos a encontrar-nos, e eu não ia conseguir resistir sempre, este sentimento de anos tinha de sair cá para fora, e iria sair bem ou a mal.Não querendo empurrar a minha responsabilidade para outras pessoas, porque a decisão final era sempre minha, tenho que admitir que se não fosse o incentivo da Isabel e da Marília eu nunca teria ido tão longe numa relação que racionalmente tinha tudo para dar errado, e que emocionalmente eu acreditava, com a minha vida, que iria dar certo. Acreditava, sobretudo, porque conhecia o Rui desde sempre, ou quase sempre. Mesmo ele não tendo feito parte da minha infância, era como se assim fosse, o gostar dele não foi coisa de momento, foi um sentimento que cresceu com o tempo que convivemos, com a admiração que tinha por ele. Aquela atitude quase inatingível dele, sempre sério, dava a sensação que queria que tudo fosse perfeito, que tudo fosse feito da forma mais correcta, como se não se quisesse arrepender de nada e ao mesmo tempo transmitia uma força, como se tivesse sempre razão, apercebia-me que apesar de ele falar pouco quando falava todos o ouviam. Era uma admiração que não era só minha mas de todos, mesmo sem consciência disso. Mas ao mesmo tempo era uma força interior que não se impunha, era naturalmente assim. Mas ouviam-no não só por ouvir, mas porque quando falava era com razão, uma razão quase inquestionável. Era como se ele só ouvisse, e apenas interferisse quando era extremamente necessário.
Daí a minha decepção com ele, a atitude dele comigo estava completamente fora de tudo aquilo que eu pensava dele. Com ele nunca pensei poder viver uma incerteza, porque com ele tudo era concreto, real. Mas talvez o erro fosse meu, afinal era o que eu pensava dele, talvez não fosse ele mesmo. Talvez tenha sido eu a iludir-me e não ele. Talvez tenha criado uma grande expectativa em torno dele, e me tenha esquecido que por ser humano ele também erra. Mas tendo consciência de tudo isto ainda assim me magoava imenso a atitude dele. Nunca o vi errar, nunca, mas ele tinha de errar comigo!?
Daí a minha decepção com ele, a atitude dele comigo estava completamente fora de tudo aquilo que eu pensava dele. Com ele nunca pensei poder viver uma incerteza, porque com ele tudo era concreto, real. Mas talvez o erro fosse meu, afinal era o que eu pensava dele, talvez não fosse ele mesmo. Talvez tenha sido eu a iludir-me e não ele. Talvez tenha criado uma grande expectativa em torno dele, e me tenha esquecido que por ser humano ele também erra. Mas tendo consciência de tudo isto ainda assim me magoava imenso a atitude dele. Nunca o vi errar, nunca, mas ele tinha de errar comigo!? É o meu grito, há-de ser sempre o meu grito.


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