Setembro 2004 II
Nesta altura punha tudo em causa, se ele gostasse de mim, não era de agora, não fazia sentido um dia ele ter acordado e pensado que eu seria uma rapariga interessante para ele se meter, ninguém faria isso quando estamos a falar de um relacionamento de 9 anos, era muito arriscado, e ninguém arrisca isso por dá cá aquela palha. Eu quero acreditar nisto, acreditar que ainda há pessoas boas no mundo que não põe em causa uma amizade por nada que não seja menos que importante, é o respeito mínimo que qualquer amizade merece. E isto ainda era o que me fazia acreditar que mesmo ausente, ele tinha de ter um interesse por mim e esse interesse não podia ser pequeno, ou ele seria uma pessoa muito má, ao ponto de querer abalar com a minha vida por causa de nada… esta vida seria muito injusta comigo se assim fosse.
A vontade que ele tinha de estar comigo era evidente, o que punha por terra todas as dúvidas que eu tinha, estava sempre a perguntar-me quando é que eu ia à terra, e quando eu dizia, por um motivo ou outro que não dava, até por mensagem era evidente a decepção dele, será que era? Ou era eu que fantasiava essa decepção… cada vez entendo menos o que se passou.
Porque quando ele dizia alguma coisa, era com um carinho extremo, o problema é que ficava muito tempo sem dizer nada, e isso provocava insegurança, medo e criava um enorme abismo entre nós dois… a distância.

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