Maio 2004 III
Penso que sem qualquer interferência que o Rui podia exercer sobre mim, decidi que ia falar apenas o essencial com segurança do meu trabalho. E no final do mês Maio tive uma conversa muito séria com o Ricardo, disse-lhe que estava no meu limite, não suportava mais a pressão que ele e o pessoal estavam a fazer. Disse-lhe ainda que o maior erro dele foi não ser discreto e dar oportunidade dos outros se meterem onde não deviam. Para rematar em grande disse-lhe que não acreditava naquilo que ele dizia sentir por mim, porque ele não me conhecia, nem me deu tempo de mostrar como eu sou. Para mim, ele gostou de uma pessoa que lhe foi descrita pelo amigo que nos apresentou, eu sei que esse rapaz gosta muito de mim, por aquilo que sou, e é possível que tenha dito isso ao Ricardo, e isso o tenha influenciado, mas conhecer-me ele não me conhece. Na realidade, neste momento da minha vida, nem eu me reconhecia, quanto mais os outros.
Nesta altura tenho a sensação que tinha envelhecido, tinha me tornado mais triste e muito mais desconfiada.
Nesta altura tenho a sensação que tinha envelhecido, tinha me tornado mais triste e muito mais desconfiada. Sei que mais uma vez fui dura com ele mas prefiro assim, a sentir que enganei ou usei alguém porque não gostaria que me fizessem o mesmo a mim.
Hoje em dia as pessoas não estão habituadas que sejam honestas e verdadeiras com elas, já vivem a própria mentira. Esta atitude não me diminui a minha responsabilidade e dureza de comportamento com o Ricardo, mas ao mesmo tempo deixa-me feliz por não pôr de parte, em circunstância alguma, a minha rectidão e a minha coerência das minhas escolhas na vida, e nesse sentido admiro muito o respeito que tenho por mim mesma. Porque este respeito faz-me andar de cabeça erguida. E quem decide na minha vida sou eu, e nunca mais darei oportunidade de se meterem na minha vida como o fizeram agora. É uma violação do meu espaço e da minha vida.


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home