Abril 2004
Em Abril, o ambiente no meu local de trabalho estava a tornar-se menos pesado, e o castigo de ir trabalhar tornasse cada vez menor… já não era sem tempo, precisava de um pouco de paz, nem que fosse apenas no meu local de trabalho.
Por mais que fosse agressiva com o Ricardo, ele não parava de me rondar, devia de achar que me ia conquistar pela insistência. Tão enganado que ele estava, quanto mais insistia, mais ele me perdia… eu cheguei-lhe a dizer isso, eu dei-lhe dicas e nada… ele mandava mensagens a toda a hora, telefonava-me, quando saia com o pessoal ao fim-de-semana, ele não me largava, literalmente, não me largava.
Ao pé dele quase não conseguia respirar, era insólito o mal que ele me conseguia, sem me fazer mal nenhum. Eu até gostava da companhia dele, mas não quando começava a dizer que gostava de mim, e fazia-o com uma facilidade angustiante. E cada vez que ele o fazia, menos eu acreditava naquilo que ele dizia sentir, mas ao mesmo tempo, quanto mais mal o tratava, menos ele se ia embora. Se alguém, algum dia me fizesse um terço daquilo que lhe fiz, era mais seguro que essa pessoa não me dirigisse a palavra, ou corria o risco de levar com uma corrente de impropérios, e ia feliz e contente para casa, por não ter sido pior. A capacidade que ele tinha para falar era inesgotável, não foram poucas as vezes que tive de o mandar calar, para me fazer ouvir, e eu não gosto de mandar calar ninguém, ele conseguia-me tirar do sério à velocidade da luz. Desde início que não tive muita paciência com ele. Eu estava a passar um mau momento, ele sabia disso, e não respeitava o meu espaço, e acabei por descarregar nele, sem querer, uma raiva que não era para ele. Tenho que admitir que ele foi o meu melhor amigo nesta altura, e eu fui muito pouco amiga para ele, reconheço, e até hoje me culpo por isso. 

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