sábado, janeiro 24, 2004

Janeiro 2004 VI

Uma semana depois de o conhecer, ele insistiu que me queria ir buscar a casa, fiquei parva isto não me estava a acontecer, tentei que ele desistisse da ideia, mas nada feito, ganhou-me pelo cansaço. E assim foi, toda esta insistência, porque ele dizia que tinha uma coisa para mim, pior ainda. Quando entrei no carro dele, comecei a falar normalmente, e quando chegámos ao café foi quando ele me lembrou que tinha uma coisa para mim, fiquei em choque, quando vi ele a pôr a mão no banco de trás do carro e a puxar um ramo de flores do campo, pelo menos teve a decência de não me dar rosas. Só me lembro de o ver a olhar para mim desesperado e a dizer: “Não gostas de receber flores!”, imagino a cara que eu fiz. Na realidade não gosto muito de receber flores, são efémeras, mas a minha expressão não era por isso, era de choque, espanto, surpresa, estupefacção. Eu conhecia o rapaz à uma semana, era uma situação ridícula, não sou nenhuma beldade para tal deslumbramento da parte dele. Nunca me tinha acontecido nada assim. Dentro deste género só me lembro de uma vez na faculdade um rapaz me dar um poema escrito por ele, mas até hoje não percebi a intenção, porque ele só me deu o poema. Agora de resto sempre passei à margem deste tipo de manifestações românticas, apesar de ser uma situação estúpida, cheguei, dias depois a perceber que me fez bem, afinal havia alguém que gostava de mim. Ainda que de uma forma doida, e eu não acreditasse muito no amor à primeira vista.

A insistência do Ricardo era quase insuportável e cheguei um ponto que não aguentava mais aquela situação, até o meu amigo que nos tinha apresentado, se sentia mal com a situação, não estava à espera que o Ricardo se comportasse assim. Eu estava mesmo à beira de um ataque de nervos.

3Doors Down "Here Without You"