Agosto 2002 VI

Quando cheguei a Lisboa, e já sem saber o que fazer, tive de tomar uma decisão, eu tinha de partilhar este sentimento com alguém. Este segredo já estava a dar cabo de mim, e o sentimento em vez de diminuir, aumentava. Só tinha uma certeza, não o podia dizer às minhas primas, tinha de ser alguém que não os conhecesse, era a forma de garantir que nada interferisse na minha relação com eles os dois. E escolhi a Isabel, uma grande amiga minha de Lisboa, que também tem raízes lá, mas como não os conhecia, garantia o meu segredo, além claro de confiar nela, sei que mesmo que os conhecesse ela não o diria, ela sabe que eu iria reagir mal. Mas a primeira coisa que me disse foi que eu era parva, nunca devia ter escolhido a felicidade dos outros em detrimento da minha.
A única coisa que eu sabia é que não podia ser feliz, com a infelicidade dos outros, e isso mantinha a minha coerência, a minha maneira de ser, de outra maneira deixava de ser eu. Mal ou bem, eu gosto de mim assim, e orgulho-me de fazer o que os outros não fazem.



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