Agosto 2002 II
E porque é que não investi nesta relação, a resposta já a dei… o Luís, sempre o Luís… já o tinha magoado, não o ia magoar mais.
Sobretudo, porque este ano ele já estava a dar provas de me aceitar como amiga, estava mais calmo, já conseguia falar com ele sem discutir. Naturalmente, ainda não tínhamos chegado à cumplicidade de anos anteriores, e talvez nunca mais chegássemos, mas falar com ele cordialmente, já era bom, muito bom para mim.
No entanto, a minha proximidade ao Rui não diminuía, muito pelo contrário, ele sem saber conquistava-me mais um pouco todos os dias que estava com ele, e até hoje não percebo porquê. As brincadeiras com ele aumentavam, e nem sempre era eu que começava, muito pelo contrário, afinal eu estava decidida a cumprir a minha promessa e nada, nem ninguém, me demovia dela. E o facto de ninguém saber, impedia que me incentivassem a lutar por este sentimento que crescia sem eu dar conta.
Mas havia situações em que ele me provocava, me seduzia, era como se quisesse ultrapassar toda e qualquer razão, não haviam explicações possíveis, e aí eu punha tudo em causa. O interesse que ele pelas minhas coisas de forma constante, como se quisesse saber tudo, o estar perto de mim, o tocar-me… isso acontecia. Tinha um fascínio qualquer pelo meu cabelo, por vê-lo solto e insistia nisso, quanto mais ele falava mais eu o trazia apanhado, nem que fosse para lhe dar um pretexto para ele falar comigo, e como resultava! 

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