sábado, agosto 17, 2002

Agosto 2002 III

Tenho noção que abertamente nunca me meti com ele, mas não o mandava embora quando ele se metia comigo, isso fazia-me bem, imaginava que o meu sentimento também era correspondido, mas ao mesmo tempo, provocava uma angústia tão grande, afinal eu não podia fazer grande coisa, eu não me conseguia libertar do peso de poder magoar o Luís.
E não era só isso, quando me comecei a aperceber, que de alguma forma para ele estar à vontade comigo, ele bebia um pouco, comecei a pôr isso em causa também. Eu tinha de ter a certeza do que se estava a passar, cheguei a isolar-me do grupo, para ver o que acontecia, e curiosamente, ele vinha para onde eu estava. Se tivesse acontecido uma vez, eu nunca poderia escrever isto, porque haveria sempre a dúvida, mas aconteceu vezes sem conta, eu tinha de significar algo para ele, definitivamente, tinha. Bastava ele beber um pouco, e onde eu estivesse em pé ou sentada, ele estaria também. Não pode ser uma simples paranóia minha. Eu não estou a falar de hipotéticas situações, são situações concretas, são comportamentos que sem sentimentos implícitos, não fazem nenhum sentido. Naquela altura, o Rui até podia não ter consciência do que se estava a passar com ele, mas ele estava confuso, alguma coisa se passava com ele, e tinha de ter alguma importância, eu acredito nisto como na certeza do ar que respiro agora.

3Doors Down "Here Without You"