Agosto 2005 VI
Nos dias seguintes ainda fiquei por Vila de Rei, para ir um pouco à Feira, acaba por ser sempre um ritual ir lá nesta altura.
No domingo a seguir ao casamento, não vi o Rui ele não a apareceu na Feira, mas em compensação o Victor andava muito atencioso comigo, o que me deu alguma segurança para falar com o Rui se ele tivesse aparecido, teria sido o melhor dia para nós falarmos, o casamento já tinha passado, estávamos num ambiente familiar aos dois, a feira… mas ele não apareceu, e se não falar-se neste domingo já não garantia que voltasse a ter coragem de falar com ele.Na noite de segunda o Rui estava na Feira para meu espanto, e tenho a sensação que me custou mais nesta noite que no sábado o dia todo… fiquei com a sensação que ele tinha conseguido o que queria, estava a sentir que estava a deixa de gostar dele, e até isso me doía afinal de contas tinha sido o sonho de quase uma vida, e como já disse eu tinha gostado de gostar dele, coisa que nunca me tinha acontecido, como se fosse um conto de fadas um sentimento que só lê nos livros de infância, porque na realidade sentimentos deste género só estão no nosso imaginário, hoje em dia para gostares de alguém olhas para a aparência, para os estudos, para a família, para a profissão, os bens materiais, e esqueceste de olhar para o mais importante para a pessoa, os seus sentimentos, valores, sonhos
e ambições e eu estava a ver tudo isso esvai-se diante dos meus olhos enquanto ele dançava com a minha prima e olhava furtivamente para mim, sempre a vergonha, é ela que está no meio de nós. Tinha-se perdido o encanto, e já não havia nada que se pudesse fazer, afinal nenhum dos dois tinha coragem de dar o passo a trás. Neste dia não o cumprimentei, talvez por falta de coragem ou muito por orgulho ferido, ele magoou-me muito e não vale a pena fingir que não o fez. Pelo menos de cínica ninguém me podia acusar. 

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