Junho 2004 II
O mês de Junho ia passando e as mensagens do Rui iam surgindo, e começava a ficar preocupada com o resultado que estas mensagens estavam a provocar em mim, mas eu reparava que em muitas delas havia segundas intenções, eu não sou estúpida, o interesse dele pelo que eu fazia era evidente, mas porquê? O que é que mudou que eu não notei?
Neste mês tive dos maiores choques da minha vida, descobri que o segurança do meu trabalho andava a vigiar-me através das câmaras, isto foi a gota de água, perguntei-lhe se era coisa que fizesse e ainda por cima comentava com os colegas, nunca me passou pela cabeça alguém se dar ao desfrute de fazer uma coisa destas comigo, nunca dei a ninguém intimidade para este tipo de coisas, isto é horrível! Já não se pode trabalhar descansada. Também há males que vêm para bem, menos um problema, passei a dizer bom dia e
boa tarde e mais nada, e só o dizia para não passar por mal-educada, porque na realidade nem isso me apetecia dizer. Que intromissão! Que falta de respeito! Mas, este ano, toda a gente achou que podia interferir assim na minha vida, será que ainda não descobriram que a minha vida é minha e ninguém tem o direito de decidir sobre ela, senão eu. Qual é a parte da minha vida que é minha que ainda não entenderam. Que revoltante!
boa tarde e mais nada, e só o dizia para não passar por mal-educada, porque na realidade nem isso me apetecia dizer. Que intromissão! Que falta de respeito! Mas, este ano, toda a gente achou que podia interferir assim na minha vida, será que ainda não descobriram que a minha vida é minha e ninguém tem o direito de decidir sobre ela, senão eu. Qual é a parte da minha vida que é minha que ainda não entenderam. Que revoltante!Ainda em Junho fui com os meus pais um fim-de-semana a Vila de Rei, desta vez o Nelson e o Victor estavam em Lisboa, e tive pena, pois sem eles a Vila é menos engraçada, porque eu conheço poucas pessoas, com muita pena minha. No entanto, outra coisa curiosa aconteceu, eu e Rui mantínhamos o contacto por mensagens telefónicas. E ele no Algarve disse para eu ir à terra naquele fim-de-semana, que ele pagava-me o café, o que ele não sabia era que eu já lá estava e foi isso que eu lhe disse, mas os desencontros aconteceram, e o café foi adiado, pois quando eu já estava em Lisboa, foi quando recebi a mensagem dele a convidar-me para o café, e aí tarde demais, mas ficou a promessa de que ele não se ia esquecer do café que me devia. Este tipo de situações têm uma dimensão muito maior, quando há um interesse, e eu já só me queria enganar, e dizia a mim mesma que não existia nada, que estava a fantasiar coisas, mas por mais que eu dissesse, já era impossível voltar a trás, o sentimento que esteve
abafado durante estes anos, estava a querer rebelar-se de tal maneira, que se tornou impossível conter em mim a confusão de sensações que já sentia, e desabafei com a Isabel. Estava a prever que me ia magoar, mas também o que é que eu podia fazer, não há nada nesta vida que se possa fazer sem contrapartidas, o pior é que geralmente são negativas. Nesta altura o que dava animo eram as saídas que fazia esporadicamente com outras pessoas, tornei este ano mais cultural, e algumas vezes fui ao teatro, a concertos, ao cinema, a sítios diferentes e evolui como mulher e como ser humano… quanto mais me ia descobrindo, melhor ser me tornava, o descobrir novos mundos diferentes do meu, tornava-me menos preconceituosa, embora nunca o tenha sido muito, mas quanto mais tu lidas com as coisas, mais as aceitas sem as criticar, e isso faz como que cries respeito pelas pessoas que são ou escolheram ser diferentes de ti, merecem tanto respeito como tu ou eu.

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home