Maio 2003 II
Sem me dar conta de início, com o passar do tempo verifiquei que um dos meus amigos, o Miguel, estava a começar a ter umas atitudes estranhas em relação à minha pessoa. Passou haver muito interesse da parte dele em relação ao que eu fazia, onde ia, com quem estava, gostava de estar comigo, tínhamos imensas conversas e era divertido falar com ele, ele era um bom contador de históricas e isso fascinava-me, sempre me fascinou, adoro que me contem histórias, de coisas que façam, sei lá… nem sei explicar… quando vejo que alguém está empolgado a contar uma história qualquer, eu até posso não ter nenhuma afinidade com o tema da história, mas a emoção da pessoa – é-me de tal maneira transmitida, que parece que se entranha em mim, é como se me levassem para dentro das histórias, é como se naquele momento eu tivesse entrado pela vida a dentro das pessoas que me estão emocionadamente a contar-me uma história. E pareço, simplesmente, uma criança a ouvi a voz melodiosa do seu avô, na sua sabia experiência a contar uma história à sua neta. 



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